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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

JANTAR DOM PÉRIGNON II



 



Na mesa central do salão várias garrafas de Champagne Dom Pérignon, estrategicamente expostas e quase dando boas-vindas aos convivas, eram o prenúncio de uma grande noite.

Os 70 convidados, aproveitando o clima ameno, se espalhavam pela varanda do “La Ciau”. 

Os refinados canapês, do italianíssimo “aperitivo”, eram regados Dom Pérignon Vintage 2004.

Os petiscos:

 Espeto de enguia com folhas de louro e abacaxi

 Espeto de camarão com melão e ervas,

 Camarão empanado com avelãs

 Vieiras com pêssego e sálvia

 Salmão marinado e defumado com manteiga

 Filé de vitela e trufas brancas.

O Koki e Luca, sommeliers da “La Ciau”, ofereciam, para os presentes e sem nenhuma economia, o Dom Pérignon Vintage 2004.













Quando o jantar foi servido tive o cuidado de fotografar e contar as garrafas vazias de Dom Pérignon que estavam enfileiradas no parapeito da varanda: 38!
 

Antes do jantar o diretor da Moet Henessy italiana proferiu algumas palavras de boas-vindas e comentou os Champagne que iriamos beber.

O papo não demorou nem 3 minutos.

Em seguida o primeiro prato:

 Sopa de tomate e ervilha com ostras.

Para acompanhar foi servido Dom Pérignon Rosé Vintage 2003.

O segundo prato:

Risotto ao Dom Pérignon com caviar e perfume de limão.

O Dom Pérignon Rosé Vintage 2003 continuou sendo servido.

 

O terceiro prato:

Ravióli de berinjela defumada, amêndoas e burrata (um queijo muito especial).

O Champagne escolhido, para acompanhar a massa, foi o Dom Pérignon Oenothèque 1996.

O prato principal:

Codorna recheada, foie gras, maça e uva.
 

O Dom Pérignon Oenothèque 1996 continuou sendo servido.

Para terminar foram servidos doces variados.
 

Não sei quantas garrafas foram abertas durante o jantar, mas posso garantir que não houve economia.

Leiam...

Na mesa em que me encontrava éramos em cinco.

Um dos comensais, Valter Lodali, produtor de vinhos em Treiso, deve ter detonado, sozinho, uma garrafa de Oenothèque 
 

Koki, o sommelier japonês da “La Ciau”, em determinado momento, já com o saco cheio de nos servir Oenothèque a cada 2 minutos, deixou na mesa duas garrafas e pediu um pouco de paz.

Era quase meia noite quando deixei o “La Ciau” esperando não encontrar nenhum "carabiniere" pelo caminho....

Não sei quantas garrafas forma abertas, mas sei que nunca vi tantas ampolas de Dom Pérignon vazias enfeitando mesas.

Os vinhos;

Dom Pérignon Vintage 2004 se revelou um grande Champagne. Muitas flores, complexo, muito longo na boca e um grande caráter.
 

Dom Pérignon Rosé Vintage 2003 se apresentou uma cor mais ambreada que a clássica “casca de cebola” presente na maioria dos grandes rosé.

 Muita estrutura, quase mastigável. Não é um vinho fácil de entender e muito menos fácil de beber. Talvez com o passar dos anos perca a cansativa opulência e se torne mais agradável.

 Para mim o Billecart continua sendo o melhor rosé.

Dom Pérignon Oenothèque 1996 foi sensacional.

É tão complexo, rico, estruturado que não ouso descrever.

Um vinho que muitos, já no final do jantar, talvez nem tenham apreciado com o devido respeito.

O jantar me custou nada econômicos 190 Euro, mas valeu cada centavo.

Ótimos pratos, serviço impecável, Champagne para ninguém botar defeito..... Grande noite!

Bacco

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

JANTAR DOM PÉRIGNON



“Você tem algum programa para segunda feira dia 22?”

O telefonema de Maurilio, chef e proprietário do estrelado “La Ciau del Tornavento”, em Treiso, me pegou de surpresa.

“O único compromisso, às segundas, é dar um descanso ao meu fígado”, respondi.

“Então esqueça seus problemas hepáticos.... Dia 22, a partir das 20 horas, a Dom Pérignon dará um jantar no “La Ciau” e eu estou lhe esperando”

A Dom Pérignon e “La Ciau de Tornavento” há dez anos realizam o jantar e, por inúmeras razões, sempre declinei o convite do Maurilio.
 

Desta vez, não deu e no dia 22, exatamente na hora marcada, entrei no belíssimo “La Ciau del Tornavento” onde Nadia, sócia de Maurilio, sorridente me recebeu.

Uma pequena pausa no relato.

Maurilio e Nadia já não são meninos.

Maurilio se aproxima dos sessenta e Nadia, bem... mulher não tem idade!

Maurilio deve ter passado, seguramente, mais de 40 anos pilotando panelas e fogões e quatro décadas são mais que suficiente para um chef de cozinha não aguentar nem olhar para uma frigideira.

O entusiasmo já não é tanto, o cansaço fica sempre mais evidente, o corpo não reage nem se recupera tão bem e o chef quase sempre passa a representar, na sala, o papel de cozinheiro: se transforma em  personagem de si mesmo.

Uma prova disso, para quem mora em Brasília, é o Rosário: O Rosário, há anos, se veste de cozinheiro, mas sua roupa, impecavelmente limpa, revela que é um ex cozinheiro que mantém confortável distância das panelas.

Maurilio, não, Maurilio continua na luta com o entusiasmo de um aprendiz e não para de inventar e melhorar seu restaurante.

A nova “invenção" e prova da constante busca do melhor: A expansão da adega do “La Ciau”.

 

 Nadia e Maurilio expandiram a adega (a expansão ainda não terminou) que agora conta com um espaço moderno, belíssimo, confortável e dotado até de elevador.

 A nova adega abriga, além das 64.000 unidades, sofás, cadeiras e uma confortável mesa, que Maurilio batizou: “mesa dos 12 apóstolos”.

Na mesa dos “apóstolos” 12 convivas poderão almoçar ou jantar cercados por milhares de garrafas de puro sonho.

Além de etiquetas famosas , há na mesa da nova adega, uma enorme garrafa Balthazar com 12 litros de Château D’Yquem.

O preço?

Não é tão alto assim.... Qualquer diretor da Petrobras pode, sem enrugar a testa, desembolsar módicos 40.000 Euros para bebê-la, no “La Ciau”, ou presenteá-la à um político de confiança.

O entusiasmo e o orgulho do Maurilio, são evidentes até no brilho de seus olhos e, enquanto  percorre a adega,  revela os projetos futuros.

O entusiasmo é o segredo da longevidade da estrela Michelin que o “La Ciau del Tornavento” ostenta desde sempre.

Amanhã comento o jantar.

Bacco.

domingo, 28 de setembro de 2014

PAIXÃO




Das três, uma:
1ª O Didu-Bilu-Teteia não entende nada de vinho
2ª É um desonesto intelectual  3ª É sócio do Dani-Elle.

Somente adotando uma das três hipóteses é possível digerir o texto abaixo
 
 

continuo achando os vinhos do Marco Danielle espetaculares. Continuo achando que o jornalismo do vinho não lhe dá o devido valor. Continuo achando que sua seriedade no que faz é exemplo e continuo achando que se ele fosse menos esquisito (adoro esquisitos, diga-se, tenho muitos amigos esquisitos…), seria melhor para o Atelier Tormentas e seus fantásticos vinhos.

Eu continuo achando que o Didu-Bilu-Teteia é apaixonado pelo Dani-Elle. Somente uma paixão avassaladora pode levar alguém a achar   que a seriedade do Dani-Elle é proverbial.

Nosso seríssimo produtor vinícola, embalado, afirma:

 “Nossos vinhos são produzidos de forma artesanal, em quantidades muito pequenas.....”

Nosso gênio vinícola possui o dom da palavra fácil, mas nem sempre é verdadeira.


A “forma artesanal” na produção vinícola do Dani é tão verdadeira quanto a probidade do Maluf.

 Dani, o “artesanal” vinifica   nada menos que 11 castas.

  Pinot Noir, Tannat , Merlot , Alicante Bouschet , Cabernet Sauvignon, Arnoison (complicação típica danielliana para uma uva da família do Chardonnay) Sauvignon Blanc, Teroldego , Barbera, Serprino (outra complicação daniellana : O Serprino é da família da Glera, uva mãe do Prosecco), Cabernet Franc.

Quem vinifica 11 uvas, quase todas compradas de terceiro, não poderia e nem deveria se autoproclamar “artesão”.

Quem trabalha assim está louco para se transformar em um grande industrial.
 
 

Para conseguir dar o salto falta apenas um sócio financiador; lábia, o Dani-Elle, já tem e de sobra.

O Bilu-Didu-Teteia com muito “ARS ARDOR” e pouco “HONOR” continua  

 

Ganhei dele esta garrafa de Sauvignon Blanc e deixei descansar um mês e ontem foi o dia de prová-lo com meu ex-segundo degustador, Ramatis Russo, meu filho nobre. Decantamos uma hora e servimos.

Descansar um mês?

Decantar, por uma hora, vinho branco gaúcho?

Só falta, agora, o Bilu-Didu-Teteia decantar uma garrafa de Mioranza branco suave.
 

ADORAMOS!!!! Tinha mim uma lamparina discreta, uma calda de doce de abóbora, um feno velho molhado e isso tudo um pouco abaixo do cítrico de limão siciliano e do capim molhado mais comum do Sauvignon Blanc

A lamparina do Didu-Bilu-Teteia deveria iluminar sua cabeça de abobora e cheia de capim
 

ADOREI Marco Daniele. O vinho tem personalidade e originalidade além de puro. Tudo o que procuro num vinho, me emocionou

Não falei? Finalmente o Didu-Bilu-Teteia se revelou:

É adoração! É paixão pura!

Depois, com a evolução que não parava, veio um incrível aroma de miúdos grelhados, notados pelo Ramatis. Não resistimos e pedimos uma linguiça de Pato (você já provou a linguiça de Pato da Enoteca Saint Vin Saint?…), e não deu outra. Era isso mesmo, show!
 

O vinho deverá entrar para comercialização em outubro segundo o site do Marco Danielle. sugiro uma visita ao site do Tormentas, há coisas bem interessantes lá, inclusive depoimentos de pessoas de respeito no mercado. Recomendo

É sempre a mesma ladainha: O Dani-Elle lança um produto, manda uma garrafa para seu apaixonado crítico que, com seu grande conhecimento e total isenção, recomenda o vinho.
 

Pergunto: Com o modelo de crítica, acima, é possível pensar que, um dia, nosso mundo vinícola sairá da mediocridade?

Respostas serão bem vindas.

Dionísio

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

ENO SACOLEIRO


 


Somos acusados, frequentemente, de indicarmos vinhos impossíveis de encontrar.
 

Há, nestas queixas, um pouco de verdade e um pouco de tolice.
 
 
 

B&B não faz parte da crítica brasileira especializada em indicar Malbec, Carmenere, Cabernet Sauvignon ou Merlot da importadora “X”, Sassicaia, Solaia da importadora “Y”, ou outras centenas de vinhos que todos já conhecem e beberam.

B&B pretende revelar ótimos vinhos, com um

custo/ benefício interessante e que revelem algo novo ao paladar do enófilo brasileiro.

B&B não escreve para bebedores de etiquetas, para “Os Caçadores de Pontos Perdidos” e nem que ser o milionésimo blog a comentar as qualidades do Petrus, Barca Velha, Vega Sicilia, Ornellaia, Romanée Conti e outras garrafas carimbadas, manjadas e falsificadas.

B&B que falar, por exemplo, do vinho, que estou bebendo neste exato momento: “LATRICIÈRES-CHAMBERTIN GRAND CRU 1999” de Louis Remy e que me custou 100 Euros.
 

Uma grana preta para os meus bolsos que raramente deixam nas enotecas mais de 30 euros por uma garrafa.

Antes que a turma do “Tá vendo, tá vendo! Você também bebe garrafas caras” me ataque, vou narrar o que aconteceu.

Aprendi, finalmente, uma coisa: Nunca trazer encomenda nem bancar o eno-sacoleiro.

“Você vai para a Europa? Me traz uma garrafa de Brunello Biondi Santi Riserva. Quando você chegar eu pago”.
 

Ai você, neste caso, eu, procura a garrafa, pesquisa o preço em uma dúzia de enotecas, encontra o vinho, por nada desprezíveis 405 Euros (o vinho custa mais de 430), compra, embala, reza para a garrafa não se espatifar na viagem e, quando vai entregá-la, recebe a clássica pergunta: “Puxa, tudo isso?”.

Neste ponto o que faço? Mando o sujeito à merda ou eu vou?

Pois é...... Foi exatamente o que aconteceu com o “LATRICIÈRES-CHAMBERTIN GRAND CRU 1999”.

No final de 2013, um vendedor de loja, ao qual revelei que estava renovando o passaporte para viajar com Bacco para a França, pediu, insistentemente, que eu trouxesse na mala 12 garrafas de Grands Crus da Borgonha.

Tenho um cliente cheio da nota que precisa de algumas garrafas de prestígio para o final do ano. O cara paga qualquer preço”.

Tanto encheu, tanto encheu que concordei, mas com uma condição: “Vou trazer, mas já vou avisando que triplicarei o preço da origem”.

Não tem problema o cara é riquíssimo e quer o vinho. Mais uma coisa: As garrafas devem ser de safras diferentes e quanto mais velhas, melhor”.

O palhaço, eu, procurou, procurou, procurou e finalmente, em Morey-Saint-Denis, na vinícola Louis Remy, encontrou exatamente o que o “riquíssimo” queria: 6 garrafas de Close De La Roche Grand Cru e 6 de Latricières-Chambertin Grand Cru das safras 1990-1995-1999-2000-2005-2009, embaladas em lindas caixas de madeira.

Preço? Uma pela outra, depois de uma briga com o francês (língua) e o francês (produtor), 100 Euros.

Rezando para não quebrar as garrafas, para não ser parado na alfandega etc. etc. finalmente cheguei em casa.

“Fulano estou com a encomenda e não vou triplicar o preço...750 cada garrafa tá de bom tamanho”

“Ótimo vou ligar para o cliente e passo em seguida para pegar o vinho”

Meia hora depois..... Olha, ele está viajando e só volta em janeiro”

“Mas o vinho não era para o final do ano?”

“Sim, mas ele teve que viajar....vamos esperar”

Janeiro, como todos os janeiros, chegou, mas o “riquíssimo”, não.
 

“Olha eu liguei e ele garantiu que do final do mês não passa”.

Chegou o final do mês e o “riquíssimo”, também.

Não sei quanto o vendedor pediu ao “riquíssimo”, mas sei que, no final da história, o “riquíssimo” queria somente as garrafas de 1990-95-99.

Fiquei olhando durante longos meses para as duas caixas pensando no riquíssimo, no vendedor, na mãe dos dois, até que.... “Quer saber duma coisa, vou beber todas”.

Comecei com Latricière 1990.

Ótimo Pinot Noir, perfeito, cor característica e aromas complexos, importantes.
 

O 1999, detonado na companhia de Bacco, nos deixou embasbacados: Os aromas iam mudando constantemente e seria uma temeridade defini-los. Na boca potência e elegância dos taninos já domados, uma longa permanência e um goudron impressionante.

O “riquíssimo, nunca saberá o que perdeu.

Os Pinot Noir, que comentei, não chegam, porém, na opinião do Didu-Bilu-Tetéia, aos pés dos siderais produzidos pelo tormentoso Dani-Elle.
 

E por falar em Bilu & Dani, acabei de ler o comentário do primeiro sobre o “Fantástico, excepcional, espetacular emocionante” e por aí vai, Sauvignon Blanc, do segundo.

Aguardem minha crítica.