Champagne não é exatamente barato ....
É sempre bom lembrar
que as etiquetas mais badaladas, especialmente as de antigas safras (millésimé),
custam cifras fora do alcance da maioria dos enófilos.
Mas, assim como nos grandes tintos, ou brancos, uma boa
pesquisa ajuda, e muito, a encontrar garrafas, relativamente baratas e de ótima
qualidade, que pulverizam os caríssimos Champagne produzidos, pelas grandes
maisons.
Meu amigo Paolo Cogorno, representante de vinhos para a
Ligúria.
Garimpando, em seu rico catálogo, entre outras preciosidades é possível encontrar algumas etiquetas de estupendos Champagne de pequenas vinícolas.
Garimpando, em seu rico catálogo, entre outras preciosidades é possível encontrar algumas etiquetas de estupendos Champagne de pequenas vinícolas.
Paolo, é também um grande conhecedor do borbulhante vinho.
Conhecendo a minha paixão, pelo Champagne, o amigo não se
surpreendeu quando pedi para comprar alguns Champagne de sua longa lista.
Paulo dispõe de dezenas de etiquetas, mas conhecendo minhas
preferências e gostos, escolheu 3 pequenos produtores e me vendeu duas garrafas
de cada um deles.
2 “Le
Mont Benoit Extra Brut” Emmanuel Brochet
2 “Reseve
Brut” Berechet et Fils
2 “Blanc de Noirs L’Ouvertoure Brut” Daniel
Savart.
Antes que alguém comece queixosa ladainha de que eu somente
comento vinhos impossíveis de serem encontrados, quero esclarecer,
definitivamente, algumas coisas:
B&B não é um blog
redundante.
B&B não comenta La Tache, Sassicaia, Masseto, Ornellaia,
Petrus etc. assim como não se pronuncia nem dá dicas de Paris, Veneza,
Barcelona, Roma ou outras cidades badaladas, “obrigatórias” e que devem ser
visitadas por todos.
B&B não tem nada a acrescentar ao que já foi escrito sobre
as cidade e vinhos acima citados.
B&B escreve para o turista que já não aguenta Paris/Don Pérignon, Bordeaux/Petrus,
Florença/Ornellaia,
Beaune/Romanée-Conti, Alba/Barbaresco Gaja.
B&B escreve para turistas e enófilos inteligentes, que
buscam algo que vá além das manjadas e caras etiquetas....
Os vinhos que comento, garanto, valem uma pesquisa, nem sempre
fácil ou imediata, mas sempre compensadora e gratificante, assim, como foi para
mim, gratificante descobrir e beber os Champagne indicados por Paulo Cogorno.
O próprio Cogorno me revelou algumas características de cada
um dos três produtores.
SAVART:
Fréderic Savart produz 50.000 garrafas de Champagne com uvas
provenientes de seus 4 hectares de Pinot Noir e 2 de Chardonnay.
De suas etiquetas provamos o “BLANC de NOIRS L’OVERTURE BRUT”.
Vinho elegante que se faz beber com facilidades. Apresenta
notas cítricas, uma boa persistência na boca, não cansa.
O indicaria como ótimo aperitivo.
Você, que tem orgulha do “Maria Valduga Espumante Brut” que
está bebendo e que pagou importantes R$ 130, por favor não ria do meu Champagne
“BLANC DE NOIRS L’OVERTURE BRUT” e dos míseros 25 Euros (r$ 80) que me custou,
afinal o Savart não tem nenhuma Maria para sustentar......
BERECHE ET FILS
Esta vinícola, também familiar, produz seus Champagne com uvas
colhidas em vinhas de propriedade na cidade de Craon de Ludes.
De seus 3,25 hectares de Pinot Noir, 3 de Chardonnay e 2,25 de
Pinot Meunier, saem 85.000 garrafas anuais.
O ‘RESERVE BRUT”
vinificado com 30% de Pinot Noir, 35% de Chardonnay e 35% de Pinot Meunier é
uma joia de raro valor.
Fresco, intrigante, que munda constantemente, é de difícil avaliação.
Se tentasse “explicá-lo” poderia cair num ridículo igual ao
dos nossos críticos e sommerdiers que eu tanto condeno.
O Champagne do Bereche é uma belíssima amostra daquilo que os
pequenos produtores da região conseguem vinificando com seriedade e competência.
Grande garrafa que me custou 26 Euros (R$ 83).
Você que recebeu a lavagem (ou será imundice?) Cerebral,
acredita que nossos espumantes são de alta qualidade, acha normal ter pago R$ 115
por um Charmat da Chandon, “Excellence Couvée Prestige”, não sente vontade de
pedir à multinacional o reembolso do seu dinheiro?
Faça melhor: Pare de beber aqueles caríssimos espumantes
nacionais até que os predadores diminuam suas hiperbólicas margens de lucro.
EMMANUEL BROCHET.
Na
pequena aldeia de Villers-Aux-Noeuds, próxima de Epernay, encontramos a
vinícola de Brochet.
Nada além de 2,5 hectares de Pinot Noir, Pinot
Meunier e Chardonnay que doam uma limitada produção anual; algo em torno de,
6.000 garrafas.
Seu “LE MONT BENOIT”,
pequena e rara joia enológica, é vinificado com 40% de Pinot Meunier, 35%
de Pinot Noir e 25% de Chardonnay. Assemblado com 80% de vinho da safra de 2008
e 20% da safra de 2007.
A dosagem
é de 4% e a gradação alcoólica de 12,5°.
Um
Champagne de incrível fineza, elegância.
Cítrico,
mineral, com uma cremosidade e uma persistência impressionante na boca.
Para mim,
o melhor dos três;
O preço?
Você, que
está sentado bebendo uma taça de espumante e tentando encontrar algo que justifique
os R$ 700 que pagou pela garrafa Magnum (uma garrafa de
0,750 custaria R$ 350) do “Cave Geisse Brut 1998“, provavelmente,
terá um acesso de ira ao ser informado que paguei 38 Euros (R$ 120) pelo “LE MONT BENOIT”.
Já sei,
já sei! Os impostos são elevados no Brasil e encarecem os quase vinhos nacionais......
Na França não há impostos!
Bacco




























