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segunda-feira, 7 de abril de 2014

POLITICAMENTE INCORRETO


 


Quando escrevi, em tom de gozação, que os casais “da gema” fizeram um papelão em Montalcino, já esperava que alguém, da turma de nossos antigos, mas sempre atentos, patrulheiros, revelasse sua desaprovação.


 

B&B não escreve para o turista “Visite a Europa em 7 Dias e Paguem 6 de R$ 543,18” nem para o palerma  do frango com farofa que nos saguões dos aeroportos fica 40 minutos em pé na fila de embarque e com ar de cansaço e muita saudade, confidencia aos companheiros de espera: “Tô morrendo saudade do nosso feijãozinho com arroz” e tampouco para os que visitam uma das cidades mais emblemáticas do mundo dos vinhos e recusa veementemente provar o produto local, como se veneno fosse.
 

Eu , Dionísio, estou ca.....do e andando para os patrulheiros do "politicamente correto” que desejam um mundo em que é preciso pensar dez vezes antes de emitir um pensamento, uma opinião, ou uma simples gozação, que possa melindrar as famosas “minorias”.

1º) Palermas não são minoria, palermas são a esmagadora maioria.

2º) Acho, sim, que somente um palerma faz turismo em Montalcino, Barolo, Gevrey-Chambertin, Chablis etc. sem gostar de vinhos.

3º) Concordo com o patrulheiro quando escreve: “....por não serem "refinados" os indivíduos não poderiam estar em Montalcino?  “Poderiam estar”, como estiveram, mas se não possuírem mínimo de refinamento cultural perderão tempo e dinheiro com algo que jamais entenderão,

4º) Para os quatro palermas, em questão, melhor seria, então, sentar na Piazza Navona comer pizza em fatias e se deliciar ouvido o cantor "típico"  se esguelhando no macarrônico “Funiculì Funiculà”.

B&B escreve para o turista que quer conhecer Pietrasanta, Monticchiello, Stresa, Pitigliano, Malcesine etc.etc. e para os politicamente abertos “ma non troppo…”

Dionísio

  

domingo, 6 de abril de 2014

MONTALCINO FEST


 


O turista, que viaja pela Toscana, está interessado e busca, na belíssima região italiana, arte, beleza, história, cultura, vinho….

 Aquele que, especificamente, se dirige a Montalcino é sempre alguém interessado em conhecer o melhor do Brunello.

Estou certo?

Não, errado!

Acredite se quiser......Há quem procure Montalcino para beber cerveja....
 

Depois da fatídica experiência gastronômica no “Boccon Divino” e a desilusão vinícola proporcionada pelo “Brunello Bueno Pornô La Fiorita”, resolvemos jantar no menos badalado “Re di Macchia” de Montalcino.

Restaurante pequeno, sem muitas pretensões, honesto nos preços, especialmente os da carta de vinhos.

 O “Re di Macchia”, tocado pelo casal Roberta e Antônio, nunca surpreende, mas nunca delude.
 

Antônio, fanático pelo Brunello di Montalcino, é um ótimo conselheiro e em sua carta há verdadeiras relíquias.

A lista de garrafas antigas é bastante extensa (60 /70 opções), mas as etiquetas, dos anos 80 -90, não custam os olhos da cara.

Fugindo das marcas mais badaladas, ordenamos um Brunello Capanna 1995 que nos aliviou em 60 Euro.
 

Grande Brunello!

Grande vinho!

Quase no final do jantar, enquanto degustávamos um ótimo Armagnac, dois casais de brasileiros entraram no “Re di Macchia” e foram acomodados em uma mesa bem ao lado da nossa.

Dava para perceber, claramente, que os casais não eram turista “experientes” e muito menos refinados.

Nosso patrícios estavam longe do “Petto di Piccione alla Menta” e muito próximos do filé com fritas.
 

Em nosso grupo todos falavam razoavelmente bem o italiano, então, no idioma de Dante, sugeri prolongarmos nosso Armagnac: Os casais prometiam momentos hilários....

Um grupo, quando indagados por Antônio, se declarou, não brasileiro, mas “cariocas da gema”.

Antônio, com cara de pastel de queijo, perguntou: “Da gema?  É perto de São Paulo?”

Cinco minutos depois, quando os cariocas pararam de “detonar” São Paulo, Antônio, finalmente, entendeu que os brasileiros eram do Rio (duvido…).

“Tem pizza? Não tem? Não dá pra sair nem uminha? ”

O pobre Antônio explicou que seu restaurante não era especializado, não tinha forno apropriado e a pizza estava fora de cogitação.

A pizza foi esquecida e foi trocada por dois pratos de embutidos toscanos, duas massas e dois risotti.

O restaurante estava quase vazio e os longos minutos, que o paciente Antônio dedicou aos “da gema”, para conseguir comandar os pratos, não atrapalhou o bom andamento da casa.

Quando, finalmente, os quatro conseguiram escolher o que comer, Antônio fez a clássica pergunta “Qual vinho?”

“Não, vinhos não! Nos não bebemos vinho.... Duas cervejas e duas Coca Cola Zero”

Antônio, incrédulo, desanimado, abatido e quase se arrastando, desapareceu no interior da cozinha.

Você, que adora emoções fortes, quando passar por Montalcino procure o “Re di Macchia”, revele ao Antônio que é um “carioca da gema”, pergunte se há uma pizza e termine ordenando cerveja….

Ah, sim.....Não esqueça de comprar, antes, um colete à prova de balas
 

Dionísio

quinta-feira, 3 de abril de 2014

SAN QUIRICO D'ORCIA


 


San Quirico D’Orcia, não tem a fama, o vinho,  divulgação e projeção de Montalcino, mas é fascinante.


Além de muito agradável, luminosa, cercada por muros medievais intactos e que abraçam todo o centro histórico, a aldeia é puro charme e poesia.

San Quirico D’Orcia é, sem sombra de dúvidas, uma das mais belas e características aldeias medievais da Toscana.

A cidade, apesar de menor, abriga restaurantes melhores, mais bonitos, característicos e mais baratos que os de Montalcino, mas San Quirico perde, para a mais famosa vizinha, na quantidade de locais para se beber uma boa taça.

 
Em Montalcino se alguém se aventurar ou ousar beber uma taça em cada enoteca, do pequeno trecho que separa o bar “Why Not” do Hotel Giglio, bem antes de terminar os 150 metros do percurso, entra em coma etílico.  

Há mais de uma dúzia de endereços validos.

Em fevereiro, viajando com dois amigos pela Toscana, encontrei um agro turismo agradável, bem localizado e barato há poucos quilômetros de San Quirico.

Depois do jantar, cansado de dirigir durante todo o percurso (centenas de curvas), a noite chuvosa e o frio cortante me desanimaram.

  Declinei o convite para o último copo em San Quirico D’Orcia e fui para a cama.

Os dois companheiros, mais jovens, mais dispostos e “sedentos”, resolveram desvendar os mistérios noturnos de San Quirico.

Para você, que não conhece San Quirico, um conselho: Passeie, também e especialmente, pela aldeia à noite e se possível quando ela dorme.

A iluminação amarelada e difusa, o silêncio, os becos escuros que serpenteiam pelo centro histórico, os muros imponentes, as igrejas milenares, o conjunto arquitetônico de rara harmonia e beleza, são atrações que ganham maior fascino nas sombras.
 

 Se a sorte for amiga e você percorrer a aldeia em uma noite de neblina, o passeio agregará mistério e estupefação.

Estupefação e uma pequena ponta de angústia.....

Não há violência, longe disso, mas a neblina doa à cidade um clima de mistério: o desconhecido amedronta, sempre.

Ateu, sem temer ou acreditar em fantasmas, espíritos, bruxas ou outras lendas medievais, quando fiz minha primeira incursão noturna e sozinho, em San Quirico D’Orcia, confesso que uma ponta de medo secou minha garganta.

Repeti a experiência, não sei quantas vezes, mas a garganta seca somente volta ao normal com um belo copo de Brunello, estrategicamente, conservado no carro.

Quem achar que percorro San Quirico de madrugada para justificar mais uma taça de vinho, está com 50% de razão....

Em San Quirico D’Orcia há um endereço imperdível: “La Bottega di Ines”
 

Condicionado, por um reflexo quase pavloviano, sempre busco Montalcino para tomar meus drinques e, apesar de ter passado em frente inúmeras vezes, nunca tive curiosidade de conhecer “La Bottega di Ines”.


 Foi preciso que dois “estrangeiros” me ensinassem o caminho das pedras para conhecer o local e o grande Brunello di Montalcino “Pietroso”.

“La Bottega de Ines” é um wine bar refinado, aconchegante, mais parecido com uma casa de chá e quase não lembra um local para se beber vinhos.

A enoteca, tocada pela mãe, filha e genro, revela um suave e sofisticado toque feminino sem perder sua principal atração que é o vinho.

A variedade de etiquetas locais é muito extensa dificultando a escolha, assim, como de costume, provoquei Laura (filha), sommelier da casa.

A proprietária, percebendo minha preferência por vinhos não badalados e tradicionais, me indicou o ótimo “Brunello di Montalcino Pietroso 2008”.

Grande vinho e tão bom que, no dia seguinte, antes de partirmos, contatamos a vinícola para comprar algumas garrafas (depois eu conto...)

Uma inteligente e variada escolha de ótimos queijos e embutidos locais acompanha e realça a degustação dos vinhos.

Uma garrafa de Brunello Pietroso 2008, um prato de “pecorino” de Pienza, outro de embutidos da região nos aliviaram em honestos 45 Euro.

Enquanto isso, no “Brasil Maravilha”, o Brunello Bueno Pornô..............

“La Bottega di Ines” e San Quirico D’Orcia: imperdíveis de B&B.
 

terça-feira, 1 de abril de 2014

A VOLTA DOS OLIGOFRÊNICOS



















Quando li a praga, no primeiro comentário, na matéria "SUPERAÇÃO", decidi que o melhor seria fazer meia volta volver e dilatar o prazo de entrega do prêmio "Oligofrênico 2014".
Pelo conjunto da obra o Eduardo ganha um TONDONIA .
Aguardamos, com ansiedade, as oligofrênicas degustações , mas parem com as pragas.

Dionísio anátema