Ao deixar Ghemme e seu “ricetto”, rumamos diretamente até Gattinara “desprezando” Sizzano e Fara.
As duas aldeias não possuem grandes atrativos turísticos e
seus bons vinhos podem ser facilmente encontrados e adquiridos na “Enoteca Regionale di Gattinara”.
Gattinara, com seus 7.500 habitantes, 100
hectares de vinhedos e uma produção de aproximadamente 600.000 garrafas, do homônimo
vinho, pode ser considerada a “metrópole” do Alto Piemonte vinícola.
O sucesso crescente dos vinhos locais e o preço relativamente
baixo dos vinhedos da região, atraiu várias vinícolas “estrangeiras” que, na
esperança de lucro fácil e imediato, investiram vigorosamente nas colinas do
Alto Piemonte.
Os eno-predadores, mais famosos, que atracaram na região,
apostando no surgimento de novas etiquetas sedutoras de cartões abonados, foram
os De Marchi, de Isole e Olena (Cepparello) e
Giacomo Conterno (Barolo Monfortino).
Vamos deixar o predador De Marchi para mais tarde e foquemos
nossas atenções na “hiena alfa”, das garrafas piemontesas, Giacomo
Conterno.
Conterno, comprou, em 2018, “Azienda
Vinicola Nervi”, a mais antiga
vinícola da cidade (1906), apostando em uma possível supervalorização das
terras e dos vinhos da região, mas, ainda bem, entrou pelo cano.
Covid, mudança nos gostos das novas gerações, sensível
diminuição do consumo, geraram uma crise no mercado italiano (e não só…) do
vinho, crise que que não dá sinais de arrefecimento.
Os vinhedos ainda são muito mais baratos do que os do
brasileiro “Grand Terroir 31” e ótimos
Gattinara continuam com preços razoáveis (20/30 Euros) enquanto o “Gattinara
Molsino, Conterno Nervi”, de
120 Euros, mofa nas prateleiras à espera dos sempre mais raros eno-palermas.
Gattinara Vigna Molsino Nervi Giacomo Conterno 2020
Comer e beber bem em Gattinara não é problema e existe apenas
o embaraço da escolha.
Duas dicas de restaurantes: “Osteria Contemporanea”, “Ristorante
Magnolia”.
Wine Bar: “Caffé Moderno”, “Ostinata
Vineria”.
Endereço imperdível continua sendo a bela e acolhedora “Enoteca Regionale del Gattinara.
Na enoteca há todos os vinhos da região por preços bem
acessíveis.
Algumas etiquetas de Gattinara?
“Mauro Franchino”, “Anzivino”, “Luca Calligaris”. “Paride
Iaretti”.
Próximas paradas: Lessona, Carema
Bocca
Opa..! Gattinara mais simples comercializado no Brasil mordisca 3/5 de salário mínimo. Deve ser a mágica de nossos importadores de vinhos
ResponderExcluirComo sempre, na conta final a culpa são dos impostos. Eu não lucro nada , ou quase nada
ExcluirPagando os impostos, como todo mundo faz, calcula a margem de lucro do negócio entre 20, 30%? Ou entre 200 ou 300%?
ResponderExcluirA, é sempre a mesma ladainha…
Importador de vinhos fica nessa onda de repassar o fumo hipercorrigido em 300% pro consumidor. Virou uma lei da abutre categoria. Quero ver pagar imposto e fazer margem de 30%, não é o habitual e fatídico de todo comércio? Vai me provando que um vinho de 25 euros tem que ser comercializado por 500 reais. Bah!
ResponderExcluirAs margens são astronômicas. Por exemplo, o DV catena que virou o "carro chefe" da Mistral chega a ser vendido em mercados Argentinos a 7 dolares, como o comerciante lá não trabalha de graça, provavelmente comprou a 5 ou a 6. Digamos 6 dolares (30 reais).
ExcluirA Mistral revende por 260 vorcaros, claro, há o custo de importação e os tributos, mas nunca que isso justificaria 760% de overprice, vários importadores legalizados conseguem vender vinho importado do mercosul a 2x o preço local (seja Arg/Chi ou Uru), porque na Mistral tem que ser 760%? É margem e das gordas.
100% de não resposta convincente, vou ficar esperando
ResponderExcluirMas qual foi a pergunta, caro anônimo?
ExcluirNão houve, caro anônimo. Foram algumas opiniões que publiquei no fluxo de meu pensamento sobre o setor de importadores de vinhos no Brasil. Uma ou outra mensagem que enviei acabou sendo publicada sem contexto, como resposta de uma opinião de outro colega que falou sobre Catena, e que, por fim, a opinião ficou sem entendimento mesmo, desculpe.
ExcluirE a pergunta na verdade foi a respeito de um vinho de 25 euros não haver justificativa para ser comercializado por 500 reais no Brasil.
ExcluirE a resposta que dei foi de não haver resposta convincente para isso..
ExcluirEntendi. E realmente, é inexplicável um vinho de 25 euros custar 500 reais aqui. E imagino que estes 25 euros seja preço nas lojas de lá, e não na vinícola. Ou seja, a facada é bem mais profunda.
ExcluirSe brasileiros importadores de vinhos não quiserem ser comparados a abutre, carcarás, que diminuam a margem de 300 para 30%, como todo comerciante lutador nessa vida faz..
ResponderExcluirO mundo está passando por um processo de forte ampliação da desigualdade. Em todos os segmentos o que mais cresce são os ultra premium e os super baratos, o meio está esvaziando. Isso vale pra carros, imóveis, etc. E pra vinhos não é diferente, o que cresce no Brasil é o Pergola, o vinho de R$25 e o importado vendido a R$700. O meio vai agonizando aos poucos. É SUV de R$200.000 ou Renault kwid.
ResponderExcluirQuem paga R$700 em vinho tá nem aí pra margem e tá nem aí se amanhã subir pra R$900. Infelizmente.
Na mosca! 🎯 Classe média se ferrando bonito!
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