Facebook


Pesquisar no blog

terça-feira, 24 de abril de 2018

BORGONHA OU SERRA GAÚCHA?


Será que os produtores nacionais compraram vinhas na Côte D'Or?

 Será que os vignerons da Borgonha fizeram um curso intensivo "de como meter a mão" na Serra Gaúcha?

Brincadeira...... Mas com alguma  verdade nas duas interrogações.  
 

Sou péssimo com datas (não lembro com precisão o aniversário de ninguém a não ser o meu), mas posso afirmar, com segurança, que frequento a Borgonha desde os anos 1990.

A "descoberta" da Côte D'Or se deu somente após várias viagens a Macôn, Chablis, Vergisson, Fuissé, Saint-Veran, Solutre-Pouilly, etc.

Quando pela primeira vez visitei a Côte D'Or e provei os vinhos de Chassagne-Montrachet, Puligny-Montrachet, Corton, Gevrey-Chambertin, Veugeot etc., foi amor ao primeiro gole.
 
 

Acontece que os goles, naqueles anos e apesar de salgadinhos, eram viáveis, abordáveis, terrenos.

Um bom Premiere Cru de Chassagne- Montrachet, Puligny-Montrachet, Gevrey-Chambertin etc. custava 20/30 Euros.
 

Um Grand Cru raramente ultrapassava os 40/50 Euros.

Deixando a brincadeira, com os predadores gaúchos, vamos analisar, com seriedade, o que aconteceu e está acontecendo na Côte D'Or.

O consumo global do vinho nos últimos 15 anos passou de 228 para 242 milhões de hectolitros.
 

 Somente em 2017 o crescimento foi de + 6%.

A China mais que dobrou o consumo e nos Estados Unidos o aumento anual oscila entre + 2% e +3%%.

Os EUA se confirmam, prá variar, no topo com 30 milhões de hectolitros consumidos anualmente.

A produção, todavia, não acompanhou a demanda e hoje se produz -7% do que há dez anos.

Voltemos à Côte D'Or.

Produção menor + consumidores = preços estrelares.
 

Não se encontra um Premier Cru, em Chassagne-Montrachet, Puligny-Montrachet, Meursault e Cia. Bela, por menos de 50/60 Euros.

  Levar para casa um Grand Cru?

 São necessários, no mínimo, 140/160 Euros (Montrachet, nem pensar.....)

Se você torce o nariz, tenta negociar ou titubeia, o vigneron lhe manda passear, dá uma banana  e sorri para a meia dúzia de chineses, na fila, prontos para comprar todas as garrafas que ele tiver.
 

A invasão chinesa é tão grande que a vendedora da tradicional "Caveau de Chassagne" tem os olhos amendoados.

Os preços subiram vertiginosamente e em compensação a qualidade despencou.

Lembra a incrível longevidade do Chassagne-Montrachet, a proverbial elegância do Puligny-Montrachet, a soberba estrutura do Corton-Charlemagne?

Esqueça..... Os produtores mudaram os métodos de vinificação e hoje, com inquietante frequência, muitos vinhos, das denominações citadas, se parecem os da Napa Valley, parecem o Chateau Montelena.
 

Finalmente e com atraso, a Côte de Beaune Parkerizou?

Continua

Bacco

 


4 comentários:

  1. Ciao, Peste.

    Oferta e procura. Para mim na primeira crise economica tudo volta a um patamar mais normal. Ha pouco tempo em Bordeaux estavam meio de 4, com chines e tudo.

    Me lembro que havia um mito que os produtores eram super seletivos para quem venderiam os vinhos...algo como entregar um filho para alguem cuidar apos muita selecao. Qua qua qua. Pagou, levou. Sempre foi assim na historia da humanidade.

    Auguri.

    ResponderExcluir
  2. Bom artigo,
    Tomadas as devidas proporções hoje em dia prefiro gastar em uma garrafa de barolo do que em borgonha.

    ResponderExcluir