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domingo, 18 de junho de 2017

SUSUMANIELLO


 


Quando constato a facilidade e desenvoltura que nossos críticos e blogueiros revelam ao comentar vinhos da França, Itália, Espanha, Argentina, Chile, Austrália, todas as garrafas do mundo, enfim, rio para não chorar.

Sem o Google, 90% desses "especialistas", não sobreviveriam nem ao segundo "Cabernet Sauvignon" chileno.
 

Para poder comentar vinhos italianos percorri, varias vezes, todas as regiões da Bota e, mesmo assim, devo confessar que meus conhecimentos, sobre o universo vinícola da península, são muito limitados.

Piemonte, Ligúria e Toscana são os três territórios que mais percorri e que melhor domino.

Um domínio, todavia, que não recomenda vôos "Icarianos".
 

Uma dica: Somente no Piemonte há, entre DOC e DOCG, 64 denominações.

Deu para perceber a complexidade?

Vamos fazer o jogo da honestidade?
 
 

 Sem consultar o Google alguém saberia comentar os seguintes vinhos piemonteses? Avanà, Rubino di Cantavenna, Gabiano, Loazzolo, Ruché, Brachetto, Doux d' Henry.

Duvido..... Nem o "Marcelinho Pão e Vinho Copello", com suas 6.000 declaradas e inúteis degustações, saberia dizer do que se trata sem consultar o Google ou B&B.
 

Os vinhos mencionados são uma pequena amostra do universo vinícola piemontês que, se e quando, comparado ao restante da Itália empalidece.

Os viticultores italianos, e não somente eles, por comodismo ou modismo, abandonaram antigas e pouco rentáveis castas autóctones para percorrer a fácil e lucrativa estrada das uvas internacionais.

Para alguns, que investiram os tubos (leia-se: pagaram caras canetas de aluguel), deu certo: conseguiram emplacar meia dúzia de etiquetas que continuam fazendo a alegria dos eno-tontos.

A grande maioria, todavia, que acreditou no "Eldorado Maremma" encontra muita dificuldade em vender seus Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah etc.
 
 

Se retirarmos do palco os atores principais: Sassicaia, Masseto, Ornellaia, Solaia e Tignanello, sobram apenas anônimos coadjuvantes...... nem Angelo Gaja, com sua "Ca' Marcanda", conseguiu grande sucesso.

Resultado um: É comum encontrar, nas gôndolas dos supermercados, garrafas de Merlot e Cia. por 2/3 Euros.
 

Resultado dois: Há uma frenética corrida para os braços de antigas e quase desaparecidas castas autóctones.

Algumas das primeiras e hoje consagradas "descobertas": Verduno Pelaverga, Gamba di Pernice, Timorasso, Oseleta, Nascetta, Pecorino.
 
 

No incrível universo vinícola italiano há mais de 600 espécies autóctones muitas das quais ainda totalmente desconhecidas além das fronteiras regionais.

O gosto e a moda estão mudando e é fácil perceber que os consumidores, há alguns anos, determinaram o constante e inexorável abandono aos vinhos impenetráveis, quase mastigáveis, com muita madeira, "parkerianos".

O consumidor quer vinhos italianos com "sabor" italiano, vinhos que "falem" de território, cultura e tradição tricolor.

O mercado, que não é bobo e não dorme em berço esplendido, já percebeu a tendência, deixou de apostar em castas internacionais e voltou seus olhos para antigas castas autóctones abandonadas.
 
 

Escrevi todo este preâmbulo para poder dedicar, a próxima matéria, a uma nova descoberta: "Susumaniello".

Bacco

13 comentários:

  1. Achei o texto deveras hiperbólico. Portugal e Espanha também apostaram em castas francesas, e nem por isso deixaram suas autoctones de lado. Vejo que há espaço para todos os estilos. Não condeno os IGTs toscanos, muito pelo contrário, acho que na média são melhores que os DOCs, mas essa é minha opinião. O mercado ainda é muito ditado pelo gosto americano, é claro, são os maiores consumidores não europeus, seguido dos chineses. Mas não vejo que a casta é a determinante do preço, e pelo texto, do sucesso do vinho no gosto do mercado. Não é tão simples. Se o mercado está procurando vinhos mais "autênticos", talvez seja um sinal de evolução, amadurecimento dos consumidores. Até perceberem que entre os diversos Barolos, existem diferentes Barolos. Entre os diversos Brunellos, existe distâncias maiores que simplesmente um acrônimo DOC no rótulo. Que sim, existem diferenças entre os anos de safras. Não é uma questão de ser ou não autoctone, mas sim de qualidade e diversidade. E talvez no futuro tenhamos cada vez mais blends nessa direção, seja a casta que for, de onde vier.

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    1. Eu não sei onde fui "deveras hiperbólico", mas respeito sua opinião. Pela trocentésima vez.... Nada tenho contra com que produz vinhos com castas internacionais (francesas, na verdade), mas quero apenas alertar que os italianos, espanhóis , portugueses e outros produtores menos importantes da Europa, apenas vinificam estas uvas para conquistar , justamente o mercado americano e os paladares de quem não entende de vinhos. Os franceses, muito mais sérios e inteligentes, não estao preocupados em lamber as botas do mercado e continuam produzindo e vendendo seus vinhos sem fazer força. Quem não acreditar vá até Saint Aubin e tente comprar duas garrafas de Criots-Bâtard-Montrachet do Hubert Lamy. Nem oferecendo 200 Euros vai levar. Os franceses não cultivam Tempranillo, Tinta Roriz, Nebbiolo etc. Os franceses não são otários. Os italianos e outros que tentam imitar os gauleses se ferram e perdem mercado para chilenos, australianos, sul-africanos . Simpático anônimo, obrigado por me informar que existem diferentes Barolo e diferentes Brunello . Juro que não sabia.

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    2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  2. Bravo peste-mor...artigo com um gostinho de que ja vi antes, mas assim como acontece com otimos livros e filmes eu nao me canso de revisitar o tema. Entao fica uma ponta de esperanca que nem todos sao enotrouxas. Como diria o Joaquinzao no twitter, a enologia ainda respira.

    SDS

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    1. Engano seu : Há muito enotrouxa. Leia o comentário do anonimo

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    2. eu escrevi nem todos.

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  3. Susumaniello , realmente uma cepa pouco conhecida aqui na terra Brasilis 🍷🍷🍷típica da Puglia da comuna de Salice Salentino , aguardarei para ver a matéria de um vinho interessante !!!

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  4. Susumaniello , realmente pouca conhecida na terra Brasílis . Típica da Puglia da comuna de Salice Salentino , aguardarei para ver os comentários sobre uma cepa maravilhosa onde se faz vinhos muito agradáveis !!! 🍷🍷🍷

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  5. Aproveitando o assunto docg do Piemonte, essa "promoção" da winebrands com a mastercard vale a pena? (pensando na dificuldade de comprar vinhos no brasil...)
    DOCG Roero Arneis, para eu conhecer. Valeu!
    http://www.winebrands.com.br/roero-arneis-2012-wbs/p (duas pelo preço). Vi no wineseacher por 20 dolares nos eua.

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  6. O Arneis e um vinho que, no passado, era interessante. Vietti e Giacosa resgataram esta casta piemontesa que havia sido, praticamente, abandonada. A Ceretto apostou no Arneis, que apelidou de Blangè, e a casta fez a fortuna da vinícola e virou moda. O Arneis de hoje nem lembra o verdadeiro Arneis. Acredito que os viticultores adicionem outras castas (Chardonnay). O Arneis custa 4/7 Euros e os R$ 266 pedidos pela Winebrands são escandalosos e mesmo com 50% de desconto é um roubo. o desconto é dado por causa da idade do vinho: O Arneis não envelhece bem. Mais uma coisa: O roubo é a marca registrada dos Incisa dela Rocchetta.... são os mesmos que produzem o Sassicaia. Eu não compraria.

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