Facebook


Pesquisar no blog

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

SPIGAU CROCIATA 2010



Em meados de janeiro, quando as festas natalinas ainda agitam as lembranças, os últimos e teimosos turistas abandonam Santa Margherita e a cidade inicia seu letargo invernal.
 

A maior parte dos bares, restaurantes, hotéis, lojas, fecha suas portas deixando a cidade com um ar de quase abandono.

Ledo engano: O falso abandono doa, a Santa Margherita, aquele ar de exclusividade que poucos podem viver, perceber e apreciar.
 
 

Desaparecem as hordas de turistas, a invasão de carros e ônibus e a cidade volta, timidamente e quase envergonhada, para os braços dos moradores que, diante de tanta beleza, sempre a perdoam.

Os meus dois bares preferidos da cidade, "Sabot" e "Vineria Macchiavello", seguindo a tendência local, fecharam as portas.

Antes de partirem para as ferias os sócios da "Vineria", Raffaella, Valentina e Enrico, resolveram promover um jantar de despedida para um pequeno grupo de amigos e clientes (4 casais).
 
 

Única exigência: Cada convidado deveria trazer duas garrafas de vinho branco para degustar, às cegas, no decorrer do jantar.

Todos se apresentaram com grandes vinhos: Sancerre, Trebbiano D'Abbruzzo, Dents de Chien..... Mas a garrafa que mais surpreendeu, na degustação, foi uma que eu levei: "Spigau Crociata" 2010.

Os amigos que acompanham B&B já devem ter lido, no passado, o que escrevi sobre este incrível Pigato vinificado por Fausto De Andreis em sua vinícola "Rocche del Gatto".
 
 

Por sua originalidade e qualidade o "Spigau" merece um "recordar é viver".

Por mais incrível que possa parecer este grande Pigato não conseguiu obter a DOC por não ter, segundo a comissão organizadora do consórcio, as características necessárias para a homologação da DOC (de origem controlada).

De Andreis, viticultor de grande capacidade e sensibilidade, não se deu por vencido, esnobou a DOC e continuo vinificando seu Spigau como se fosse um vinho tinto.
 

Fausto deixa seu Spigau fermentar com as cascas durante três semanas, em seguida vem a fermentação malolática e uma longa permanência sobre leveduras (anos) com battonage constantes.

Quando o "Spigau Crociata", pequena jóia enológica da Ligúria, é finalmente distribuído no mercado pode ser encontrado, nas prateleiras das enotecas, por 13/18 Euros.

Neste ponto quero fazer a enésima e repetitiva comparação para demonstrar o quanto o consumidor brasileiro e espoliado pelos produtores de vinhos nacionais.
 

Quando e se um amigo de B&B tiver a sorte de provar um "Spigau", por ele pagar R$ 44, já no primeiro gole vai se amaldiçoar por ter pago R$ 110 por um Couvée Giuseppe Chardonnay ou R$ 120 por um Villa Francioni Chardonnay.
 
 

O "Spigau" custa a metade dos quase- vinhos nacionais e é infinitamente superior.

É escandaloso o quanto metem a mão os predadores gaúchos de quase-vinhos.

Deixemos as zurrapas de lado e voltemos para os vinhos sérios...


O "Spigau Crociata" 2010, imediatamente após a abertura da garrafa, apresenta uma leve nota de redução, nota que em poucos minutos desaparece e deixa espaço para aromas mediterrâneos, cítricos e revela uma mineralidade que lembra os bons Riesling alsacianos.

O mais interessante é que o Pigato, do Fausto De Andreis, parece um camaleão: os aromas mudam a cada instante e mesmo o mais treinado olfato não conseguiria descobrir todas as nuances aromáticas que se alternam a cada instante.

Na boca o vinho é quente, aveludado, complexo e com um impressionante final.

 

O "Spigau", excelente como aperitivo, pode, tranqüilamente, acompanhar até carnes não muito temperadas.

O "Spigau Crociata" 2010 foi, para os comensais, a grata surpresa da degustação.

 Para mim, todavia, não houve surpresa: conheço e aprecio o Pigato do Fausto De Andreis há anos.

O meu queixo, no entanto, caiu quando outro vinho, servido no final do jantar, para acompanhar os queijos, foi apresentado por um dos convidados: Marsala "Vecchio Samperi Ventennale" produzido pela vinícola Marco De Bartoli.

 

O comentário sobre o Marsala fica para a próxima matéria.

Bacco

4 comentários:

  1. Encontrei o Marsala "Vecchio Samperi Ventennale" produzido pela vinícola Marco De Bartoli no Brasil vendido por 250,00 reais
    Vale ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vale. Na Itália é vendido por 45/50 Euros, então.....

      Excluir
  2. Bacco,

    qual a DOC que o Spigau Crociata teria? é a "Riviera Ligure di Ponente"?

    te mandei um email aí. abraço!

    ResponderExcluir
  3. Exatamente. O Riviera Lígure di Ponente Pigato DOC. O território é aquele compreendido nas províncias de Genova, Savona e Imperia

    ResponderExcluir