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sábado, 3 de setembro de 2016

MAIS CAGADAS




 Nunca acompanhei, regularmente, o "Momento do Brinde", programa da rádio CBN em que Jorge Lucki discorre, sobre vinhos, com o âncora Carlos Alberto Sardemberg.
 

Já afirmei que não consigo acreditar na existência críticos que possam dominar, com segurança e conhecimento, todos os vinhos dos quatro cantos do planeta.
 

Eu aprendi, com Bacco, tudo o que sei sobre vinhos e apesar disso, minha cultura vinícola, mesmo após décadas de amizade, convivência e viagens, não vai além de algumas etiquetas do Piemonte, Ligúria, Borgonha, Véneto, Toscana.

Os sommeliers italianos, franceses, portugueses , que eu conheço, dominam sua praia, mas tem apenas noções superficiais sobre os vinhos de outros países.

Os italianos conhecem os grandes Bordeaux, Borgonha, o Vinho do Porto, Vinho Madeira, mas, se perguntados sobre um Chateau Musar, ou um do Dão, olharão para o interlocutor com cara de paisagem lacustre.
 

Com os profissionais portugueses e franceses o discurso é exatamente igual: Todos conhecem o Brunello, Barolo, Chianti, mas se falarmos em Taurasi, Gattinara, Timorasso, eles vão achar que estamos xingando a mãe.

O Lucki não tem limites, confins, barreiras.

 Os conhecimentos do Jorge são tão vastos que suas indicações passeiam com leveza e desenvoltura pela França, Itália, Alemanha, Brasil, Argentina, Chile, Austrália, África do Sul, Nova Zelândia..... e se mais mundo houvera, lá chegara!

Jorge é um gênio?
 

O Lucki, apesar de preparado, tem suas limitações e, volta e meia, diz cagadas homéricas no "Momento do Brinde".


Dia 30 de agosto, Jorge, em seu tour pela Itália, resolveu falar da Úmbria, seus vinhos, sua gastronomia.

Já na primeira frase Lucki comete um erro bisonho quando localiza Amatrice, a cidade que quase desapareceu após o terremoto, na Úmbria.

Não sei se o violento terremoto deslocou Amatrice, mas, até a semana passada Amatrice era uma cidade da região Lázio e mais exatamente da província de Rieti.

Não satisfeito, com a cagada geográfica,  Lucki continua com o desarranjo intestinal e, categórico, afirma: "..... a Úmbria é a única região da Itália que também tem trufas... não é tão boa quanto à do Piemonte....."

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/jorge-lucki/2016/08/30/NA-UMBRIA-ORVIETO-E-SAGRANTINO-SAO-OS-VINHOS-MAIS-INDICADOS.htm

Sinto muito discordar do Jorge e lhe recomendo uma passagem mais demorada pelo Google.

Na Itália há tartufi (trufas) em quase todas as regiões:Ligúria, Lazio, Toscana, Campânia, Lombardia, Basilicata, Calábria, Veneto, Emilia-Romagna, Marche etc.etc.etc.

E por falar em Marche, seria bom o Lucki experimentar o maravilhoso "Tartufo Bianco di Acqualagna" assim, quem sabe, a qualidade da trufa marchigiana corrigia o desarranjo intestinal de nosso comentarista.

Mais uma coisa: Quando há escassez de "tartufi bianchi", no Piemonte, os negociantes espertinhos de Alba e arredores, os importam da Eslovênia, Croácia, Romênia, Albânia, Marrocos, Espanha, Turquia e até da China.

 
 Os turistas bocós, que não entendem lhufas de trufas, compram, pagam uma grana preta e comem "lisoto com tlufas blanca" da China.

Jorge, não para e se supera quando indica vinhos da Úmbria.

Com tantos produtores de vinhos na Úmbria, Lucki indica quem, quem, quem? "Castello della Sala"  

O "Castello della Sala" é uma das filiais das "Indústrias Antinori" e não produz, sequer, um único vinho típico da Úmbria.

Confira!

Cervaro della Sala = Chardonnay e Grechetto

Pinot Nero

Conte della Vipera = Sauvignon Blanc

Bramito = Chardonnay

Muffato della Sala = Sauvignon Blanc, Grechetto, Traminer, Riesling

Nem o simples, comum e popular Orvieto, produzido pela "Castello della Sala" escapa da adição de uvas francesas (Viognier).
 

Não contente, em empurrar os vinhos estandardizados da Antinori, que não representam a Úmbria nem em sonho, o Lucki radicaliza ainda mais recomendando as garrafas francesas da vinícola Falesco.

Falesco, propriedade da família Cottarella, só produz vinhos com uvas internacionais: Merlot, Chardonnay, Viognier, Syrah, Cabernet Sauvignon etc.

O único vinho da Úmbria, produzido pela Falesco, é o "Grechetto"

Perguntei ao Bacco se conhecia o "Grechetto" da Falesco
 

A resposta: "Fa cagare" e continuou "Um bom branco, da região, é o Orvieto "Campo del Guardiano" da vinícola Palazzone. Se quiser um tinto honesto vá de Rubesco Lungarotti"
 

Não conheço nenhum dos dois vinhos, mas conheço Bacco, então.... Tchau, querido Jorge

Dionísio

14 comentários:

  1. Um dia pediram a ele que sugerisse um vinho para acompanhar dobradinha. Acredite: ele disse que nunca teve coragem de comer, achava repugnante, mas indicou um vinho. Como pode alguém harmonizar vinho com algo que nunca comeu?

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    1. outra vez, pediram para ele indicar um vinho para acompanhar comida mexicana e ele mandou um "aaaah, bebe cerveja, vai... para com isso..."

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  2. A antinori tinha merda na cabeça quando resolveu atuar como importador no brasil? Ou sera que sao genios que enxergam o futuro promissor e lucrativo nesse pais que cada vez consome mais vinhos?

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  3. De onde você tirou que um crítico de vinhos tem que conhecer "tudo" que se refere a vinhos? Cai na real. Ninguém conhece tudo de coisa alguma. Ou você acha que o seu médico conhece tudo de medicina? Desce dai... Um especialista conhece muito sobre o tema, mas ninguém conhece tudo. Ninguém tem fisicamente condição para tal. Para compilação de dados existem as bibliotecas e as pesquisas. Você ainda acredita em perfeição absoluta? E no Papai Noel?...Que doce menino!!!!

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    1. Anônimo,

      não sou o Bacco, mas permita-me: ele não tem de conhecer tudo que se refere a vinhos, de jeito nenhum! mas, quando não sabe, que admita isso, reconheça que não domina a região, ou o tipo de vinho, ou o que quer que seja... e se abstenha de falar abobrinha! não é demérito, é normal!

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    2. em tempo: acho o Lucki um cara acima da média (especialmente se a média forem os blogueiros médios de vinho desse país), conhece bastante e, até onde sei, paga as próprias contas. mas, às vezes, baixa uma entidade que o impede de reconhecer que não sabe de algo, ou coisa assim.

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  4. Querido Bacco após passar pela Grécia e beber aqueles vinhos medianos a preços de crus franceses , Dps de passar pela Campaniâ conhecer alguns produtores hj me encontro no Veneto ( e Carlao sou do Amarone e das fotos desbotadas) mas não postarei nem direi quantos vinhos e produtores conheci e visitei ....
    Ontem ao assistir a Lá Traviata no teatro Lá Fenice ,estava lá nosso Alfredo enganado pelo pai , que fez largar seu grande amor ... Na saída me fez lembrar do nosso amigo da cara de bolacha com orelhas de topo gigio das fotos desbotadas ,e da objetividade duvidosa... Quem será que enganou esse senhor falando que ele entendia muito de vinho ? Será que ele já veio em algum desses lugares ? Mas passou rápido ....
    Saindo dali apesar do calor sufocante do verão europeu a noite estava fazendo 18 gr ... Como minha mulher e tarada por tinto e eu já cansado de comer peixe resolvi comer carne e pedi a ajuda do sommelier .... Para minha surpresa e do Lucki eu não conhecia o vinho .... Rsrs , gargalhadas ,caixa alta e caralho a quatro ..
    Dps disso tudo vem a minha pergunta ...
    Vc conhece os San Gioveses da Emiia Romna ?
    Ontem bebi um Pietramora Romagna San Giovese Riserva Marzeno da Fattoria Zerbina
    Confesso que gostei ..

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    1. Vc vai atrair o cara dos rs, gargalhadas e tudo mais. Melhor nem lembrar.

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    2. Não conheço a vinícola,mas conheço o Sangiovese di Romagna. Em muitos casos da pau nos Sangiovese da Toscana...Acredite quem quiser.

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  5. Não conheço este,mas os Sangiovese da Emília Romagna estão dando pau nos dá Toscana

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    1. Ba, ta dificil achar sangiovese de boa qualidade com prezzo "ok" na toscana eim? me refiro a algo com quantidade suficiente para por num pallet. so da coisa comercial, com aquele aroma e gosto maldito de chiclete do morcego vermelho.

      Auguri, bTD.

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    2. O JR definiu bem as características de um Brunello que comprei dia desses: chiclete do morcego vermelho. E não tinha decanter ou gira taça que desse jeito na encrenca.

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    3. Nao entrega a idade...so a turma da meia idade sabe o que he isso. Meia idade se pensar que vamos ate os 100!

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    4. Estou contando com isso! O duro é que até os primeiros 50, estamos subindo a serra. Nos outros 50, descendo... A pé e cheios de calos...E dá-lhe diclofenaco, ibuprofeno e emplasto sabiá (esse entregou, hein?)

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