Facebook


Pesquisar no blog

sexta-feira, 22 de julho de 2016

VERMENTINO DI GALLURA "THILIBAS"



Resolvi ampliar o leque de indicação de vinhos.

Nas próximas matérias vou percorrer diversas regiões e comentar alguns vinhos que me impressionaram.

Abordei o Montepulciano D'Abruzzo, da homônima região, Carema, do Piemonte, Rapitalà, da Sicilia, Ribolla Gialla, do Friuli e agora vôo para a segunda maior ilha italiana: Sardenha.
 
 
 
 

Minha adega "italiana" é pequena, limitada abriga 15 ou 20 garrafas no máximo.

 Para piorar, além as limitações quantitativas, há as qualitativas. O estoque é limitado, mas repleto de grandes e caras etiquetas: Dent de Chien, Blanchot Dessus, Criots Bâtard Montrachet, Puligny Montrachet Premiere Cru, Barolo, Barbaresco, Champagne; garrafas para ocasiões e climas especiais

 

 Não estou tentando impressionar..... é a realidade.

 Não faz sentidos (o bolso não aguenta....) abrir, todos os dias, uma garrafa de 30-50 ou 100 Euros...

Num mercadinho, perto de casa, há uma razoável variedade de garrafas e é nele que normalmente me abasteço para acalmar a sede do dia-dia.

No mercado já comprei, entre outros: Barbera Bersano, Barbera Monella e Rapitalà que aqui comentei e descrevi.

À procura de "novas emoções" resolvi abandonar o bom Rapitalà e comecei a pesquisar nas prateleiras.
 

Uma garrafa, estranha e diferente, chamou minha atenção: Vermentino di Gallura 2014 "THILIBAS" produzido e engarrafado pela vinícola "Pedres".

Vamos por etapas....

O Vermentino é um vinho que se posso evitar, não penso duas vezes e evito

O Vermentino, na Itália, encontra o seu habitat predileto naquela parte da costa do Mar Tirreno que vai desde a divisa da França até a Toscana.
 

Sinto dizer que nunca consegui beber um Vermentino lígure ou toscano que me impressionasse e convencesse (difícil é saber qual o pior....), mas quando a origem do Vermentino é sarda, a conversa é outra e.... O vinho, também.

Quando o Vermentino é de Gallura a conversa fica mais séria, ainda.

A Gallura, para quem não conhece (será que os "professores da AB$ sabem do que estou falando? Duvido....), é a parte mais ao norte da Sardenha, aquela que quase parece tocar a Córsega.
 

Famosa, por sua fantástica costa, que oferece centenas de pequenas enseadas de tirar o fôlego, a Gallura abriga, em seu território, um dos mais badalados e sofisticados endereço da Itália: "Costa Smeralda".

A "Costa Smeralda", continua linda, mas perdeu muito de exclusividade e brilho dos anos 70/80.
 

Se nos anos 79/80 era frequentada pelos VIP, hoje se transformou no endereço preferido dos jogadores de futebol e suas "modelos"....
 

O interior da Gallura é coberto por bosques de carvalho (Sobreiros, em sua maioria), extensos campos verdejantes e formações rochosas impressionantes.

É, justamente, nesta região de grandes contrastes, de mar, bosques e pedras, que nasce o "Vermentino di Gallura".
 

Decidi comprar uma garrafa de "Thilibas" depois provar e me surpreender com o vinho da casa de um restaurante que frequento em Santa Margherita Ligure.

Sem muita vontade de gastar (na ocasião o Euro andava na casa dos 5 reais) resolvi beber, no jantar, o vinho que serviam em taças.
 

Sem preocupação ou esperança, quase automaticamente, bebi um pouco do branco que me fora servido.

Levei um susto.

O vinho era ótimo.

Perguntei ao garçom que vinho havia servido: "O proprietário conseguiu um bom preço no atacado e estamos abrindo garrafas de Vermentino da Sardenha".

O bom preço, o garçom confessou, era de aproximadamente 5 Euros.

Resultado: bebi três taças.

O "Thilibas" é infinitamente superior ao vinho do restaurante e custa, no supermercado, 10,60 Euros.

O Vermentino di Gallura "Thilibas" 2014, da vinícola Pedres, é uma pequena jóia enológica.
 

Apesar de sua intensa cor, amarelo dourado, o jovem "Thilibas" nada tem de maduro, cansado ou oxidado.

O "Thilibas" esbanja juventude, acidez e frescor.

Aromas intensos, florais, de ervas... difíceis de reconhecer.

É preciso um bom esforço para reconhecer perfume de ginestre e ervas aromáticas: Os aromas mudam se sobrepõem constantemente e a complexidade é impressionante.

Na boca a festa é ainda maior.
 

Opulento, aveludado, mineral com final muito longo e persistente o "Thilibas" é uma verdadeira festa para o paladar.

Não creio que o "Thilibas" possa ser encontrado no Brasil, mas é uma boa dica para os que viajam pela Bota, gostam de beber bem sem gastar os tubos.

Recomendo com entusiasmo.

Bacco.

 

 

 

 

 

 

 

4 comentários:

  1. Gosto quando alguém recomenda com entusiasmo. Vale muito mais que os famigerados pontos.
    Belo artigo, Bacconildo. Além da ótima informação, belas paisagens. Aliás, a penúltima foto dá direito a um pezinho no cantinho inferior esquerdo. Tá vendo? Os leitores do B&B já conhecem o pezinho do Bacco.
    Salu2,
    Jean

    ResponderExcluir
  2. Ainda bem que é só o pezinho
    ......

    ResponderExcluir
  3. Bacco, você ainda não escreveu sobre a Ribolla Gialla, apenas falou de um almoço em que o pediu! fale mais sobre essa uva e seus vinhos, uma das melhores surpresas que já tive entre os brancos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é.....Tô esclerosando. Tenho duas matérias no forno sobre a Ribolla Gialla ,mas não publiquei nenhuma. Desculpe e aguarde

      Excluir