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segunda-feira, 23 de maio de 2016

FA CAGARE





Todos sabem que considero MAURÍCIO CARLOS HELLER DANI o maior farsante que serpenteia pelas misteriosas e pouco transparentes vinhas nacionais.
 
 

Para quem não sabe, Maurício Carlos Heller Dani é o verdadeiro nome de Marcos Danielle.

 Dani, "dos mil nomes", produz, no sul do Brasil, alguns quase vinhos que levaram ao orgasmo dois críticos de meia pataca: Didu Bilu Tetéia e "Sir" Edward Motta.

Inúmeras vezes tive o desejo de comprar os líquidos coloridos, produzidos, ninguém sabe como, pelo Dani e levá-los até a Itália para serem analisados em laboratórios locais.

Surgia, sempre,  um problema: Se eu os encomendasse, diretamente, o tormentoso, "Dani dos Mil Nomes", jamais entregaria os vinhos que produz.
 

 Dani "dos mil nomes", com os críticos e formadores de opinião, costuma enviar garrafas com etiquetas de sua vinícola, mas com conteúdo misterioso (vinho de outras origens).

O que fazer?

 Certo dia, passeando pelas páginas do Facebook, assisti um vídeo em que um membro da comunidade despejava, na pia e sem nenhuma cerimônia, um vinho do fotografo das vinhas.

O enófilo comentava, na ocasião, que o esgoto era o único lugar que aquele Pinot Noir deveria frequentar.
 

Escrevi para o realizador do vídeo, indaguei se o "exterminador" dos vinhos do Mauricio Carlos Heller Dani, Marcos Danielle etc. tinha, ainda, algumas garrafas e se as queria vender.

Resposta afirmativa, preço acordado (o mesmo que fora pago pelo "exterminador") e as garrafas, uma de Pinot Noir, outra de Sauvignon Blanc, em poucos dias foram entregues em minha casa.

Reservas confirmadas, malas prontas, garrafas bem embaladas e... lá fui eu para o Piemonte.

Alguns dias após minha chegada, em Alba, já descansado e refeito, procurei um laboratório especializado para contratar uma análise dos vinhos do nosso ex-fotógrafo.

A análise, que eu pretendia, deveria ser completa para poder revelar todas as mazelas e aditivos usados na vinificação.
 

Quando o encarregado do laboratório declarou o preço da pesquisa quase desmaiei e conclui que os vinhos do Marco "Dos Mil Nomes" Danielle não mereciam tamanha despesa.

 Resolvi percorrer uma via mais barata, mas muito eficiente: Bacco e Sergio Rossi.

Sergio Rossi ,para os que não sabem ,é o administrador responsável da "Enoteca Defilla" de Chiavari e grande amigo de Bacco.

Sergio comanda, com grande competência profissional, uma adega com cerca mil etiquetas de vinhos e outras tantas de destilados, de todas as partes do mundo.

Garrafas raras e caras de 500/1.000/5.000 Euros, convivem, democraticamente, nas prateleiras da "Enoteca Defilla", com vinhos de 10/15 Euros.

Magnum de Château d'Yquem, Monfortino, Cheval Blanc, Petrus, repousam tranquilamente ao lado de anônimas garrafas de Barbera, Verdicchio, Rossese, Pigato, Soave, Freisa etc.

Sergio conhece centenas de produtores, centenas de vinícolas, degustou um sem numero de etiquetas, nunca participou de inúteis concursos de sommeliers, mas conhece sua profissão como poucos.

Nem sempre os gostos dele e de Bacco coincidem, já tiveram várias discussões, mas ambos têm a mesma franqueza e nenhum receio de emitir suas opiniões:  Quando o vinho é bom, é bom
                                                                        Quando o vinho é mais ou menos, é mais ou menos.
 
Quando o vinho é uma merda, é uma merda.

Quem seria, então, o mais indicado para provar e julgar os vinhos do Danielle "Dos Mil Nomes"?
 

Já em Chiavari, expus minha idéia e Bacco topou na hora.

Sergio, como sempre, nos recebeu com um sorriso, ouviu atentamente, olhou para as garrafas e prometeu inseri-las na degustação da quinta feira.

Em tempo: Todas as quintas feiras, Sergio Rossi e meia dúzia de profissionais locais, se reúnem para provar as garrafas enviadas pelas vinícolas.



Se o vinho reunir qualidade, bom preço, boas condições de entrega e continuidade, etc. entra na lista de próximas compras e poderá escalar as prateleiras da "Defilla".

"Volte na sexta para saber o que achamos do vinho brasileiro".

Na sexta feira, conforme combinado, voltamos para saber o que Sergio e os amigos haviam achado do Pinot Noir e do Sauvignon do viticultor "cult" endeusado por Didu Bilu Tetéia e Sir Edward Motta
 

Sergio, no começo, tentou ser diplomático, foi evasivo, criticou mais a etiqueta do que o vinho, mas, como é do seu temperamento, não resistiu: Esculhambou os vinhos do nosso fotógrafo dedicando especial "atenção" ao Pinot Noir.

Assistam ao vídeo:
 
 
SR= Isso também, foi uma lição. Agora sei que existe uma coisa assim.

B= um vinho tão ruim assim você nunca bebeu? O pior é o branco?

SR= ...esse sujeito... que fez esta etiqueta e escreveu desse jeito....não faz sentido, todavia não havendo vinho ,mesmo que  não se consiga ler não faz nenhuma diferença.

(Algumas considerações sobre a etiqueta)

B= Em sua opinião então não é vinho

SR= Realmente não sei dizer.... é uma coisa...

B= Na sua opinião "fa cagare" (expressão italiana que substitui a menos elegante: vinho é uma merda!)

SR= Sim, sim, sim...

B= Imbebível...

SR. Imbebível.

B= Ok.

Quando parecia que encerrara suas críticas, Sergio retorna ao assunto e quase raivoso detona os vinho do nosso ex fotógrafo.

SR= Esse é imbebivel, mas lembra o Sauvignon..... existe uva Sauvignon.... Foi usada a uva Sauvignon e tinha gosto de Sauvignon, um Sauvignon ruim, mas.... Este não tinha nada, então não se pode nem dizer que era nojento..... Um líquido de cor feia....

D= Não se pode nem chamar "vinho"

SR=... nem chamar "vinho"..... Esse (Sauvignon), no entanto, é um vinho que "fa cagare" porque é um vinho que "fa cagare". Esse nem se pode dizer que "fa cagare".

Sergio agradece a experiência (nunca havia provado vinho brasileiro) e terminamos com risadas.

Dionísio

PS  A matéria continua

5 comentários:

  1. Impagável a gravação!!!!!!!

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  2. Di..

    Talvez esse vinho seja tao ruim que nem o saudoso Salame quis comenta-lo. Os aromas seriam demais para o cara.

    Por outro lado ta cheio de Paulinho da forca do mundo do vinho disposto a apoiar a causa do nobre viticultor supra citado. Eca.

    Andiamo...

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  3. Se você realmente quiser fazer algumas análises, vc pode fazê-las na Embrapa em Bento Gonçalves ou mesmo no Alac em Garibaldi... fácil e no brasil...

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  4. Obrigado pela dica, mas acredito que os "vinhos" do Dani podem ser analisados em um laboratório de analises clínicas qualquer: merda pura

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