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terça-feira, 9 de junho de 2015

ANTICA CORONA REALE


 


Perdi a conta de quantas vezes ensaiei uma visita ao restaurante “L’Antica Corona Reale”, considerado, por muitos gourmets, o melhor da região.

No final de maio, finalmente, deixei a preguiça de lado e reservei uma mesa para o almoço.

Minha opinião: “L’Antica Corona Reale” é um restaurante que deveria ser meta obrigatória de todos aqueles que apreciam uma excelente mesa.

Entre as muitas razões, além da cozinha, serviço, adega, sofisticação etc. há, também, sua história: “L’Antica Corona Reale” nasceu, há exatos 200 anos (1815) e sempre pertenceu à família Rivalta.

O restaurante, atualmente, sob a batuta do chef Gian Piero Rivalta, consegue a primeira estrela Michelin em 2003 e a segunda em 2009.
 

É difícil acreditar que um restaurante em Cervere, aldeia sem atrativos, totalmente desconhecida, salvo pela excelência de seu alho porrô, fora do centro turístico de Alba, faça sucesso por longos 200 anos, consiga alcançar duas estrelas da famosa guia vermelha e seja uma unanimidade quando o assunto é alta cozinha.

Pois bem, acabei de ingressar na legião de admiradores da “L’Antica Corona Reale” é concordar em apontá-lo como o melhor restaurante da região.

“Bom dia, há uma mesa para hoje? ”

A interlocutora, atenciosa, me informou que, infelizmente, para a noite de sábado, o restaurante estava completo.

“E para o almoço? ”

Minha insistência foi bem-sucedida: a moça confirmou uma mesa para as 13 horas.

Um belo aperitivo em um dos ótimos bares da Piazza Savona, um passeio pela via Maestra, uma parada para bater um papo com meus amigos da enoteca “GV Grandi Vini” e finalmente, deixei Alba e rumei para Cervere.

O “L’Antica Corona Reale” é tão discreto, tão anônimo que, apesar de ter passado duas vezes por ele, tive que mandar o GPS às favas, pegar o telefone e pedir mais informações para encontrá-lo.

Corrigida a rota, finalmente, entrei no restaurante onde uma gentil garçonete me conduziu até minha mesa na varanda.

O local é sóbrio, elegante, refinado, sem ostentação.

A varanda, mais parecida com uma estufa de flores, em compensação, é deslumbrante.

A primavera europeia, quando chega, parece querer se vingar da neblina, gelo, tristeza e explode em cores e flores.

A varanda do “L’Antica Corona Reale” as lindas glicínias, brancas e azuis, fazem festa primaveril ..... Uma alegria.

 

A alegria continua quando a competente sommelier, Maria Teresa, oferece um aperitivo
 “O senhor prefere um Franciacorta Ca’ del Bosco, Cavalleri ou vamos de Champagne? Abri, agora mesmo, uma garrafa de Bollinger, mas posso servir, caso queira, uma taça de Bruno Paillard”

Optei pelo Bolliger que foi servido em taça de cristal e com rara abundância.

 

Para almoçar, após sérias duvidas, optei por
“Ravioli di Gorgonzola con Crema di Mandorle Caramellate” (Ravióli de Gorgonzola com creme de amêndoas caramelizadas)

 “Trippa com Porri di Cervere e Lenticchie di Castelluccio” (Tripa com Alho Porrô e Lentilhas)

“Piccione su Vellutata di Sedano Rapa Noci e Tartufo Nero” (Pombo com creme de salsão, nozes e tartufo preto).

Enquanto esperava os pratos, as garçonetes, em incessante vai-e-vem, me ofereceram quatro amuse bouche de arrepiar.

De tanto arrepiar e para esquentar pedi mais uma taça de Bollinger.....

Deleguei os vinhos à Maria Teresa que foi hábil do começo ao fim.

Para os raviólis sugeriu e serviu uma taça de “Château Guiraud 1er Grand Cru Classé”

O Bollinger continuou acompanhando a tripa e o pombo navegou em um ótimo Barolo Pira 2009.

Enquanto degustava, com calma, os pratos, me perguntava o porquê de minha demora em frequentar a cozinha e adega do “L’Antica Corona Reale”.

A única resposta sincera: BURRICE!

Pedi a conta, me preparei para o pior....Pensei que receberia uma “facada” tipo “Acquavit”

Para quem não sabe, o Acquavit foi um restaurante “pirata” brasiliense, tocado por um dinamarquês, que fechou por não possuir alvará e não pagar impostos e que cobrava preços estratosféricos.  

Os 105 Euros, da conta, foram arredondados e uma nota de cem voou de minha carteira para o cofre de Gian Piero Rivalta.

Grande chef, grande restaurante, grande satisfação...

Bocca

PS. Todos os pratos executados magistralmente, mas a tripa, a simples e barata tripa, me emocionou.

Prato pobre e dos pobres, a tripa, do “L’Antica Corona Reale”, é tão perfeita que voltei no dia seguinte para repetir a dose.

8 comentários:

  1. Que maravilha! Salivei ao ler a descrição. Imagino que o Guiraud fez par perfeito com o Ravioli, não?
    Salu2

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  2. Eles falam que o menu é individual e da para um umas trinta pessoas comerem !

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  3. espumante brasileiro é o segundo melhor do mundo... mas já custa mais caro que o primeiro:

    https://www.wine.com.br/vinhos/espumante-salton-lucia-canei/prod13441.html
    https://www.wine.com.br/vinhos/champagne-jacquart-brut-mosaique/prod6361.html

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    Respostas
    1. Eduardo, God dag.

      Eu desconfio de perfumaria, sugar coating, reboque etc em garrafa de vinho. De homenagens a matriarcas eu fujo ainda mais.

      Champagne direto a consumidor por R$ 150.00? Esses caras ainda vao F com as importadoras tradicionais. RA!

      SDS

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    2. 120 para sócios, JR. E penso que estão f....o com as importadoras tradicionais há algum tempo!

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  4. São todos uns picaretas ! o que espanta é o exército de otários que os defende . Predadores do vinho.
    Dionísio

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  5. Mais um belo relato!

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