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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

VERDICCHIO DI MATELICA


 



Sempre afirmei que uma das maiores castas brancas italianas é o Verdicchio.

Mas nem sempre o Verdicchio foi considerado, reconhecido como uma grande uva e que poderia produzir grandes vinhos.

O Verdicchio alcançou o sucesso comercial nos anos 60, frequentou mesas e taças do mundo todo, invadiu enotecas nos quatro cantos do planeta, mas acabou   pagando caro por este sucesso.

Qualidade duvidosa, imediatismo inescrupuloso visando apenas números, uma bela jogada de marketing, deram, àquela garrafa, imitando ânfora etrusca, uma conotação de vinho jovem, fácil de beber, mas banal.

O sucesso comercial foi grande e o Verdicchio se transformou em um dos brancos mais conhecidos e exportados da Itália.

 Quando a moda arrefeceu, o vinho das colinas “marchigiane” amargou um lento e inexorável declínio, carregando, durante longos anos, o estigma de produto barato e de baixa qualidade.
 

A vinícola Fazi Battaglia, primeira responsável pela divulgação da “ânfora” etrusca, faturou horrores, mas quase destruiu a reputação do Verdicchio.

A Fazi Battaglia não foi a única que vulgarizou uma grande casta: A vinícola   Bolla, com seu Soave, fez o mesmo com a uva Garganega.

Ainda bem que o mundo vinícola italiano é composto, na sua grande maioria, por pequenos e médios produtores que, visam lucro, sim, mas sempre com um olho voltado às tradições e respeito pelo vinho.
 

Em meados 80 uma decisão e conscientização importantes foram tomadas por um punhado de viticultores regionais.

  Analises, estudos e seleções de clones da Verdicchio e mudanças nas técnicas de plantio e vinificação, alcançaram, em menos de 30 anos, resultados surpreendentes.

As quantidades por hectares diminuíram muito, as uvas são colhidas um pouco mais cedo para privilegiar frescor e cor e, finalmente, técnicas modernas foram adotadas nas adegas.

Resultado: O Verdicchio é, hoje, um grande vinho.

Ainda há, na denominação Verdicchio, muita porcaria, mas há, também, garrafas de puro sonho.

Quando afirmo que, para escrever sobre vinhos é necessário conhecer a região sei o que digo...

Quantos críticos, blogueiros, “professores” (me poupem...) de cursos, diretores de AB$, $BAV etc. já provaram um bom Verdicchio de Matelica (se pronuncia Matélica)?

Garanto que 99% deles, se não correrem ao Google, nem sabem o que é “Matelica”.

O Verdicchio possui duas denominações: Verdicchio dei Castelli di Jesi e Verdicchio di Matelica.

Na primeira viagem que realizei, nas terras do Verdicchio, visitei a “Enoteca Della Regione Marche”.

A Enoteca, localizada bem no centro histórico de Jesi, possui mais de 400 etiquetas dos produtores da região e é um ótimo endereço para se começar a conhecer o Verdicchio.

A sommelier, que naquela ocasião me atendeu, apresentou um sem números de produtores e foi através de seus conselhos que pude conhecer um dos melhores Verdicchio dei Castelli di Jesi: CORONCINO.
 

O Coroncino e seu irmão, Gaiospino, produzido, em Staffolo, pelo incrível Fuvio Canestrari, continuam frequentando, com muita assiduidade, minhas taças.
 

Quando já não acreditava que outro vinho pudesse me surpreender, a sommelier, com o indisfarçável propósito de fundir minha cuca e quase sussurrando, disse:” O senhor já provou o Verdicchio di Matelica?”
 

Estava em meu primeiro estágio do Verdicchio, mal conhecia a denominação “Castelli di Jesi” e a mulher já me apresentava a de Matelica.

Vendo minha expressão, de tonto recém acordado, a sommelier, sem proferir uma palavra a mais, despejou em minha taça dois dedos de “MÌRUM”.

Três dias depois estava gastando os pneus do meu carro pelas estradas da montanhosa Matelica para conhecer as terras do fantástico Mìrum.

Logo mais, Mìrum II

Bacco

8 comentários:

  1. Ja passei noites bem agradaveis dentro dessa enoteca que tem a fama de ser assombrada. Morri de rir com as conversas do fantasma chifrudo que sempre aparece de noite. Um fantasma cornuto, somente na italia para ouvir uma lorota engracada dessa.

    Jesi é um dos lugares que gostaria de viver. Quase deu uma vez... mas minhas secretarias nao me acompanhariam e me dei mal nessa.

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    Respostas
    1. hora de abrir novo processo seletivo no Leste Europeu, não?

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    2. João, troque as secretárias e aceite o conselho do Eduardo

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    3. A carne he fraca. Assim como meu cerebro.

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  2. Boa !!! Aprendendo um pouco mais.

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  3. Como seria um processo seletivo para secretárias no Leste Europeu? Há tempos li uma notícia na The Economist descrevendo os processos seletivos para profissionais do sexo feminino de nível superior, tipo engenheiras químicas, na recentemente capitalista Rússia. O processo rolava à noite em boates! Os entrevistadores se sentavam às suas mesas e as candidatas deveriam assediá-los. Todas vestidas com roupinhas sensuais, é claro. Depois da leitura do currículo a entrevista era realizada dançando música lenta estilo mela cueca.

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  4. Excelente texto !!! Mais uma regiao para conhecer !!! Abracos !! C.Maul

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  5. Ola pestes do apocalipse. Post antigo, comentario atual. Ninguem lera isso, mas somente nos.

    Degustei um verdicchio da dita regiao hoje em Londres. Gostei do vinho. Libra por libra um bom valor, melhor que muito chablis por ai com mais valor.

    Valeu pela dica da regiao. Sou fanzao de Jesi e cercanias (motivos de amizade tambem influenciam), mas di matelica me impressionou com um vinho que imagino nem ser dos melhores.

    Finalmente um vinho que saiu em BBD que serviu no meu bolso.

    Auguri, bastardi.

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