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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

VINIDAMARE III


 


Falar de vinhos, no estilo B&B, é atemporal.

Sem a preocupação da notícia fresca, da informação imediata ou urgente, deixei para o final meus comentários sobre os três melhores produtores que participaram da “VINIDAMARE” em santa Margherita.

Enquanto percorria os corredores da Villa Durazzo, onde dezenas de vinícolas expunham suas garrafas, imaginava o que aconteceria, no Brasil, se eventos como o “Vinidamare fossem comuns, corriqueiros, semanais   como acontece em muitas cidades italianas.

 Acredito que os assíduos frequentadores de bocas-livres, blogueiros, (de)formadores de opinião, membros da AB$, $BAV, etc.,   viveriam em permanente porre.

Mesmo na sofisticada e exclusiva Villa Durazzo pude notar vários “profissionais” da região trocando pernas.

Dez Euros não assustam ninguém, razão pela qual há enófilos que frequentam os encontros com o firme propósito de encher a cara.

Não adianta cuspir: Um pouco de álcool é sempre bebido.
 

Minha “técnica” continua a mesma: Selecionar meia dúzia de produtores (com o tempo se adquire a manha e é fácil descobrir os melhores), degustar com calma e abandonar os eventos, no máximo, após uma hora de libações.

Outra possibilidade: Encontrar algum representante amigo (conheço vários...) e pedir conselhos sempre preciosos.

Em matéria anterior revelei que Paolo Cogorno, representante de algumas vinícolas regionais e de uma dúzia de Maison de Champagne, me indicou o caminho das pedras e sem perder muito tempo fui direto ao que havia de mais interessante.

As garrafas mais importantes, do encontro, vinham das “Cinque Terre” e de Albenga.

Comecemos com os vinhos das” Cinque Terre”.
 

O território vinícola das “Cinque Terre”, que começa em Monterosso, passa por Vernazza, Corniglia, Manarola e alcança Riomaggiore, se estende, em linha reta, por pouco mais de 9 quilômetros, mas é um dos mais incríveis e belos que eu conheço.
 

As vinhas são cultivadas em declives tão acentuados que precisam de terraceamentos para poder viabilizar o plantio, manutenção e colheita. 

Os terraceamentos, construídos há séculos pelos ciclópicos lígures e hoje tombados pela Unesco, abrigam as três uvas autóctones, Albarola, Bosco e Vermentino, que dão vida à DOC “CINQUE TERRE”.
 

A DOC “Cinque Terre” coloca no mercado 270/300 mil garrafas por ano.

Produção pequena (a Salton, sozinha, infesta o mercado nacional com quase 30 milhões de garrafas) que é toda consumida na Ligúria, particularmente, nas aldeias que compõem a DOC.

O vinho Cinque Terre” não é um vinho excepcional; é um vinho de boa qualidade, mas que não deveria custar tanto (10/15 Euros nas enotecas).
 

Apesar do preço salgado o vinho não conhece crise.

A razão?

Somente nos meses de junho a setembro 350/400 mil turistas visitam, todos os anos, as famosa cinco aldeias lígures.

Nos bares, restaurantes, enotecas, o vinho local é fartamente consumido e, não raramente, adquirido como souvenir.
 

Façam as contas e perceberão que, com um canal de venda quase exclusivo, 300 mil garrafas praticamente evaporam.

A grande procura e a falta de conhecimento vinícola da turista contribuem para que o Cinque Terre DOC, na sua versão mais popular, seja um vinho nada além de sofrível.

Neste cenário, de muita facilidade nas vendas e pouca preocupação com a qualidade, há, ainda bem, meia dúzia de produtores, com inventiva e seriedade, que se destacam: Sebastiano Catania é um deles.
 

Catania, em seu terreno de 0,5 hectares localizado na colina denominada Vetua, ao sul de Monterosso, extrai 3.000 garrafas de um soberbo vinho branco, que por sua cor um pouco mais escura, do que a recomendada pela denominação, não obteve a DOC.
 

Catania, apresentou o vinho duas vezes ao consorcio regulador da DOC e em ambas não recebeu o reconhecimento.

O seu “VÈTUA” não é DOC, mas Sebastiano não se importa com a exclusão e continua vinificado, suas 3.000 ótimas garrafas, com dedicação, inteligência e adicionando, às tradicionais Albarola, Bosco e Vermentino, outras três raríssimas uvas locais quase desconhecidas: Picabun, Brugiapagià e Frappella

 O resultado é um vinho com aromas de flores, vegetação mediterrânea, que na boca chega ser quase tânico, muito longo, surpreendente e com uma personalidade única e inconfundível.

O VÈTUA é um grande Cinque Terre que recomendo com entusiasmo.
 
Já sei, já sei..... 3.000 garrafas de um belo vinho são poucas, difíceis de encontrar e caras.
 

Nada mais errado: O Vètua, que custa entre 15/18 Euros, é encontrado em inúmeras enotecas e restaurantes de Monterosso, Vernazza, Riomaggiore, Manarola, Corniglia.

A invasão de turistas brasileiros, nas Cinque Terre, me faz crer que o Vètua será, em breve, degustado por muitos leitores de B&B

Confira.

Bacco

PS. Na próxima matéria vinhos de  Battè , Capellini e De Andreis.

 


5 comentários:

  1. Recomendo a trilha de Monterosso a Vernazza, e o vinho claro!!!

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  2. Belo relato Bacco!
    Abraço

    Eduardo

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  3. Guilherme Della Giustina20 de junho de 2015 15:23

    Visitei Cinque Terre hoje com minha esposa e almoçamos em Manarola.
    Comemos peixe harmonizado com uma meia garrafa do vinho branco da Societá Agricola Cooperativa - Riomaggiore pela bagatela de 13 euros. Vinho bem simples que não justificou o preço.
    Só pelas vistas valeu a pena.

    Amanhã é dia de conhecer Santa Margherita Ligure e Portofino.

    Parabéns pelo blog.

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    Respostas
    1. Realmente o Cinque Terre não vale quanto custa. Estou em Santa margherita. ..qiem sabe a gente se encontra. ...

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