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quinta-feira, 29 de maio de 2014

I'm Through With love



Um dos meus bares preferido, em Chiavari, é o “VINORIA”

O “VINORIA” é tocado por três simpáticos rapazes, Andrea, Marco e Raimondo, que levam a profissão à sério.

 
Busca incessante de vinhos para agradar os clientes, taças generosas, simpatia contagiante e preços contidos, são as razoes do sucesso do VINORIA.

Colaborei um pouco, para o sucesso do VINORIA, apresentando alguns vinhos aos três rapazes e que ainda hoje fazem parte da carta do bar.
 

Quando oferecem uma nova etiqueta ao VINORIA os proprietários, com frequência, pedem a minha opinião.

Ontem fui ao bar para o meu sagrado aperitivo.

Andrea, um dos sócios, me apresentou uma garrafa e disse: “Prove e amanhã me diga o que achou”.

Final de tarde luminosa, abri a garrafa de “Vermentino Fliscano Vigneto Rivara” produzido por Daniele Parma.
 

Há uma nova “febre”, um modismo, que está fazendo sucesso no mundo vinícola: “Vinhos Naturais”.

Não consigo entender, muito bem e até agora, o pessoal, que se aferra a esta nova “Fashion”; não sei o que querem dizer nem onde querem chegar.

Vou escrever sobre o assunto, mas quero adiantar uma coisa:  Aquilo, que os espertinhos querem vender, como “naturais”, são vinhos turvos, com sérios problemas de mau cheiro, todos iguais e que cansam após o segundo copo.

Renegar o grande progresso enológico, das últimas décadas, me parece uma enorme burrice e uma malandragem ainda maior.   

O “Vermentino Fliscano” está a meio caminho entre “natural” e o normal.
 

O vinho, que permanece em contato com as cascas por um longo período, consegue se distanciar, um pouco, da mesmice da maioria dos Vermentino, mas apresenta odores que, para ser elegante, classificaria: Estranhos.

O Vermentino, de Daniele Parma, aproveita, assim como outros vinhos locais, o grande charme de Portofino e estampa na etiqueta o nome da renomada cidade lígure.

 Para quem não sabe (eu também não entendo.....), a badalada e sofisticada aldeia, do “Golfo Del Tigullio”, empresta seu nome à DOC “PORTOFINO”.

A DOC “PORTOFINO” é uma das mais novas picaretagens vinícolas que eu conheço.

Apesar da DOC se estender por mais de 30 municípios foi homologada com o nome de “PORTOFINO”.
 

Não tenho dados, mas acredito que no território de Portofino não se produza nem 400 litros de vinho.

É apelação pura, mas o turista estrangeiro não resiste à tentação de possuir um vinho de Portofino.

 É a gloria.

Portofino, não merece......
 

Todas os vinhos da denominação “Portofino” não conseguem esconder suas limitações e deficiências.

O entusiasmo dos lígures, muita apelação mediática e uma boa dose de picaretagem, não são suficientes para transformar o “Vermentino Fliscano 2013” em um vinho que compraria: Há milhares iguais e centenas bem melhores.

A matéria poderia terminar aqui apenas acrescentando que recomendei o vinho ao “VINORIA”.

Alguém poderia perguntar: “Se não gostou não deveria recomendar”.

O “VINORIA” trabalha, também, com turista e, como já salientei, turista adora Portofino......

Não é o fim, ainda: Vou continuar.

Tentava terminar a taça, de Vermentino “Fliscano”, enquanto ouvia algumas canções e olhava o sol se pondo, justamente atrás das colinas de Portofino.

De repente, Marilyn Monroe cantando, I'm Through With Love”.

 A mente viajou até encontrar uma das últimas cenas de “Quanto mais Quente Melhor” em que Marilyn, quase chorando, interpreta a canção.

Um sorriso de Monalisa apareceu no canto dos lábios, mas imediatamente desapareceu.

Lembrei que o genial diretor Billy Wilder, Marily Monroe, Jack Lemmon, Tony Curtis, Joe Evans Brown e George Raft, que com suas interpretações tornaram o filme inesquecível, já haviam morrido.

Joguei fora o que restava do Vermentino, corri para minha adega abri uma garrafa de “Blanchot Dessus”, de Jean Claude Bachelet, recoloquei “I'm Through With Love e finalmente o sorriso voltou.

Eu estou na comissão de frente e atrás vem gente.....

 É preciso beber bem!

 Lembrei a genial frase de Diujker: “A vida é curta demais para se beber maus vinhos”.
 

 O Blanchot Dessus”, do Bachelet, é um dos melhores vinhos que já bebi.

Bacco.

 

 

 

4 comentários:

  1. Excelente post,um dos melhores desde que comecei a acompanhar a blog.

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  2. Bacco, o que mais me irrita nesta onda natureba é a bandeira que certas pessoas ou restaurantes levantam como se o vinho "natural" fosse melhor ou proporcionasse benefícios infinitamente maiores a saúde do que os demais vinhos. Na minha experiência com vinhos naturais tive momentos horríveis e de não passar da primeira taça. Não quero sentir cheiro podre no meu vinho. Para isso basta bebed Toro Loco.

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  3. Bom mesmo eh a combinacao de vinho natural com alimentos termogenicos mais herbalife.

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  4. Parabéns pelo texto! Além de bem escrito, não deixou de trazer dados, dicas de vinhos, restaurantes e, ainda, manteve o viés crítico característico.

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