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segunda-feira, 24 de março de 2014

BOLGHERI? VIVE LA FRANCE





 

De todos os territórios, que eu conheço, nenhum se entregou de braços escancarados ao “mercado” como a Maremma.

A Maremma toscana, até meados do século passado, era conhecida pela pobreza, pela malária e pela mortalidade precoce de seus habitantes (em 1800 a vida média, na região, era apenas de 19,5 anos)
 

Vinho?

Pouquíssimo e de qualidade nada além do sofrível.

Terra barata, esquecida, a Maremma vinícola não era importante e quase nem mencionada no atlas dos vinhos italiano.

Foi preciso que um piemontês, o marquês Incisa Della Rocchetta, “descobrisse” a grande aptidão vinícola de Bolgheri, até então apenas lembrada na poesia de Giosuè Carducci: “I cipressi que a Bolgheri alti e schietti van da San Guido in duplice filar....”

Bolgheri era poesia somente na mente do poeta; na realidade a região era o paraíso dos pernilongos....

Uva?

Vinhos?

Alguns, mas que empalideciam quando e se comparados aos primos toscanos Brunello, Chianti, Nobile di Montepulciano…Vinhos que nunca ultrapassaram a fronteiras regionais.
 

Boas engraxadas nos bolsos dos fiéis amigos jornalistas e críticos, propaganda bem dirigida, marketing inteligente…Nasceu o fenômeno Sassicaia.

E na esteira do Sassicaia e de seu sucesso, uma longa lista de empresários, nobres e plebeus, aportou em Bolgheri.

Em poucos anos fundaram a Bordeaux toscana.

Se os vinhos são bons, iguais ou melhores do que o franceses, é assunto para russos, brasileiros, chineses, americanos, japoneses etc.

 Os italianos somente bebem um Masseto quando pagam a conta com um cheque sem fundo.....
 

Uma coisa é certa: A Maremma é a mais descaracterizada e menos italiana das regiões vinícolas da bota.

Alguns dados.

A superfície total, da DOC e IGT Bolgheri, é de 1.220 hectares, assim dividida:

40% Cabernet Sauvignon, 25% Merlot, 10% Cabernet Franc, 7% Syrah, 7% Vermentino (branco regional), 6% Petit Verdot, 3% Sauvignon, 2% Sangiovese.

Vive la France!

 

Os 38 produtores e suas respectivas áreas de vinhas (na região)

- 301 ha Guado al Tasso - Marchese Piero Antinori
- 99 ha Tenuta dell’Ornellaia -
Marchesi Frescobaldi
- 88 ha Ca’ Marcanda -
Angelo Gaia
- 86 ha Tenuta San Guido -
Marchese Niccolò Incisa della Rocchetta
- 71,50 ha Tenuta Argentiera - Corrado e Marcello Fratini
- 50 ha Castello di Bolgheri -
Conte Zileri Dal Verme
- 44,50 ha Poggio al Tesoro -
Allegrini
- 42 ha Donna Olimpia
- Guido Folonari
- 30 ha Campo al Mare -
Ambrogio e Giovanni Folonari
- 30 ha Tenuta di Biserno
(affitto vigneti Le Colonne) - Marchese Ludovico Antinori
- 29 ha Casa di Terra - Giuliano Frollani
- 22,50 ha
Michele Satta
- 20 ha Le Macchiole -
Cinzia Merli
- 18 ha I Greppi -
Bianca Cancellieri e Alessandro Landini
- 17,50 ha Caccia al Piano -
Ziliani (Berlucchi)
- 16 ha Sapaio -
Massimo Piccin
- 15,50 ha Campo alla Sughera -
Knauf
- 14 ha Grattamacco -
Claudio Tipa (Collemassari)
- 14 ha Villa Pavoniere
- 12,50 ha Aia Vecchia -
Famiglia Pellegrini
- 9 ha Ceralti - Iacopo Alfeo
- 9 ha Ferraris Iris -
Famiglia Ferrari
- 8,50 ha La Cipriana
- 7 ha Batzella
- 7 ha Fabio Motta
- 6,50 ha Chiappini - Giovanni Chiappini
- 6,50 ha Giorgio Meletti Cavallari
- 6,50 ha Terre del Marchesato
- 6 ha Donne Fittipaldi - Maria Menarini
- 6 ha Le Fornacelle
- 6 ha Campo al Noce
- 5 ha Orma - Moretti
- 3,60 ha Antonino Tringali Casanuova
- 3 ha I Luoghi
- 3 ha Le Grascete
- 2 ha Mulini di Segalari
- 2 ha Serni Fulvio Luigi



A produção total, da denominação, é de 4.560.000 garrafas (80% para a exportação).

A rentabilidade (prestem atenção, muita atenção) da Tenuta San Guido (Sassicaia)= 46%, Antinori (Solaia) 39,7%.
 

É dinheiro que não acaba mais, dinheiro que pode continuar engraxando canetas, comprando pontos, bicchieri, corações e mentes, no mundo todo.

Bolgheri é mais francesa do que a própria França.

Bolgheri é o maior exemplo de anti-terroir.

 

13 comentários:

  1. Prezados,

    Não sabia que vocês tinham voltado, descobri esse fim de semana. Embora não concorde com 100% do que dizem (o que seria da vida se todos concordássemos em tudo) e as vezes da maneira como dizem, vocês são, de todos que escrevem sobre vinho, uns dos que tenho mais respeito.
    Acompanho vocês desde que comecei a me interessar mais sobre vinhos e sempre os considerei boa fonte de aprendizado e esclarecimentos. Principalmente as dicas de viagem, há matérias que vocês escrevem que dá vontade de entrar no primeiro voo para a Itália (país que ainda não conheço).

    Hoje também escrevo um blog, acredito até passível de sofrer críticas de vocês, mas que lhes garanto ser imparcial, pois não trabalho com vinho, não pretendo e nem preciso, tenho o blog como passatempo e por gostar de escrever sobre coisas que me agradam.

    Gostaria muito de conhecer essa Itália narrada por vocês e talvez esse ano eu tenha oportunidade. Já adicionei vocês no Facebook e pretendo procurá-los, caso vocês não se importem, para pedir algumas dicas.

    Fico feliz de saber que vocês voltaram, estarei acompanhando o blog.
    Abraço e bons vinhos!
    Jorge M Alonso

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    1. Obrigado pela atenção!
      Em breve entrarei em contato.
      Abraço e bons vinhos,
      Jorge Alonso.

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  2. Mais de uma coisa temos que concordar... tem excelentes produtores na região e que existem também ótimos vinhos com preços acessíveis... Acredito que seja muito, dizer que estes grandes ou pequenos produtores não buscar expressar o terroir da região mesmo com as uvas francesas...

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  3. Por favor, me indique um ótimo vinho Bolgheri com preço acessível
    Há excelentes produtores ou excelentes empresários?

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    1. De onde voces tiraram os numeros de rentabilidade? Da coluna do bilu teteia ou de alguma fonte crivel? Se for rentabilidade liquida liquida liquida mesmo, ai que inveja da porra.

      Nem Carlos, o Contador Gaucho, teria numeros tao bons assim nas inumeras vinicolas gauchas que ele dizia assessorar.

      Pestes.

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    2. Os números são do INSTAT (IBGE ITALIANO) A rentabilidade é bruta, mas se as terras custaram pouco ou nada e já estão amortizadas há décadas , a mão de obra é pouca e barata, faça a conta e imagine o lucro líquido

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    3. Ola B&B

      Assim como os humanos e politicos voces subestimam varias das despesas menores e dai o numero fica muito positivo. Nao ha chance dessas vinicolas terem 30% de retorno liquido. Ja estariam listadas em bolsa como algumas da america do sul.


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    4. Vc acha que a Tenuta San Guido , Antinori , Frescobaldi empresas familiares e de nobres com mais de 1.000 anos de história estão preocupadas com "bolsa"?
      Eu repassei dados do IBGE italiano , apenas isso. Pelo INSTAT, as duas vinícolas, são as mais rentáveis da Itália. Pudera , vendendo para os otários russos , brasileiros ,chineses , americanos etc. seus vinhos por preços estrelares , ganham o que querem. Mais uma coisa: Vc acha que os nobres toscanos denunciam seu lucro líquido?

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    5. Outra coisinha que esqueci: A Antinori é a maior proprietária i de vinhedos da Itália. Conseguiu ser um império por causa de seu pequeno lucro e por praticar caridade há 1.000 anos. Se vc tem dados melhores , mais atualizados, mais criveis , apresente.

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  4. Bacco, vinhos acessíveis aqui no Brasil que conheço ( lembrando que não tenho a bagagem de conhecimento e financeira como você ), Campo Al Mare Bolgheri, Le Macchiole ( Bolgheri Rosso ), Grattamacco ( Bolgheri Rosso ), Le Difese e o Promis.
    Para se tornar um excelente produtor quer dizer que não precisa ser um bom empresário ? Como em qualquer outra região ou lugar do mundo existem os bons que chegaram ao topo com princípios e respeitando as suas raízes...

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    1. Não , não precisa ser bom empresário. Quando vc vira empresário esquece as vinhas. Vc já imaginou o Antinori , Frescobaldi, Gaja, Folonari , Dal Verme, Allegrini etc. podando vinhas? Grattamaco , Promis , Le Difese baratos? Tem vinhos de Bordeaux , do mesmo nível, custando menos da metade.
      Grattamacco Custa mais do que um bom Barolo.

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  5. E em relação aos Brunellos, esses dias experimentei um que gostei: Innocenti, 2006. Conhecem? É um bom produtor?

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