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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

TERROIR - FINAL




Esta matéria poderia exibir outros cabeçalhos: “Os chineses estão chegando”, “Os brasileiros compram tudo o que veem”, “Os russos esvaziam as adegas da França e Itália” e.... por aí vai.

Na região vinícola de Bordeaux os chineses parecem brasileiros em Miami: Compram, compram, compram e já são proprietários de meia dúzia de grandes e formosas vinícolas.

O última propriedade, com seus 65 hectares de vinhas, que passou para mãos chinesas, foi o “Château de la Riviere”.

O chinês não poderá, todavia, provar o vinho de suas futuras colheitas: O helicóptero, que o proprietário anterior, James Gregoire, havia disponibilizado para sobrevoar os vinhedos do château, caiu e não deixou sobreviventes (francês incluso).

O fenômeno “comprador”, apesar de existente, não é importante nem preocupa a Borgonha.

Milhares de pequenas propriedades familiares, sem grande potencial econômico, com produção limitada em poucos milhares de garrafas, além de preços elevados, não animaram, ainda, compradores orientais.

Apenas o Château de Gevrey-Chambertin foi recentemente vendido para os chineses.

 O negócio causou comoção e revolta na região.

Acredito piamente que o tsunami amarelo se acalmará em poucos anos e a Côte-Dor continuará sendo paradigma de terroir.

Creio ter contribuído com a sequência de matérias para ajudar, quem nos segue, a ter uma ideia mais clara de terroir e não acreditar que, por (mau)exemplo, o Lote 43 da Miolo seja um vinho de “terroir”.

O Lote 43, onde a indústria gaúcha jura produzir as uvas que utiliza na vinificação do vinho homônimo (será?), quando muito, pode ser considerado um “terror”.

Há outro “terrores” no sul do Brasil, aliás o território gaúcho, com seus Chalise, Cantina da Serra, Mioranza, Chapinha, Sangue de Boi etc. deveria contratar o Freddy Krugger como garoto propaganda de seus quase vinhos.

Não poderia terminar, esta série de matérias, sem comentar as etiquetas que comprei em minha última viagem pela Borgonha.

Bienvenues-Bâtard-Montrachet Grand Cru 2011 Jean-Claude-Bachelet:

Dourado com reflexos esverdeados. Aroma complexo de flores, manteiga (não exagerada) e avelãs tostadas.

 Na boca opulento, aveludado, elegante.

Grande estrutura

Grandíssimo Chardonnay que melhorará ainda mais com o passar dos anos.

 Euro 85

 

Blanchot-Dessus Premier Cru 2011 Jean Claude Bachelet:

O que dizer deste vinho? Que é um dos melhores brancos que já bebi?

 Que sua elegância, é ímpar?

O Blanchot-Dessus dos Bachelet e difícil de descrever, pois o enófilo pode cair no ridículo e se tornar um Gladston (lembram do salame, presunto cru, cavalo suado etc.?) pois é, o Blanchot deve ser bebido apenas pensando que os 40 Euro, que custou, foram poucos e bem gastos. O Blanchot Dessus de Bachelet entra na minha seleção de “IMPERDÍVEIS”

 

Criots-Bâtard-Montrachet Grand Cru 2010 Blondeau-Danne

Vinho sofisticado, complexo, com grande estrutura e incrível persistência na boca. O Criots é um vinho raro, soberbo e deve ser bebido com respeito e coração.

Excelente!

Melhor custo-qualidade-benefício do ano: Euro 85

Na próxima semana: “O Anti-Terroir”

Bocca

7 comentários:

  1. E de pensar que aqui no Brasil tem vinho bem mais caro que estes que você cita. É uma brincadeira. Ótima a série Terroir. É para o pessoal saber que não é só fazer um cercadinho, produzir umas uvas lá dentro, um vinho mais ou menos a partir delas, dar um nome chamativo e sair dizendo que é vinho de terroir.
    Salu2,
    Jean

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  2. Jean, como disse, no sul confundem terroir com TERROR

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  3. Bacco,

    estou planejando uma viagem para a Europa com a minha mãe no final de julho. temos uns quatro dias livres, queria saber se você vai estar por lá. não consigo me decidir se passo esse tempo no Lago Como, em Veneza, na riviera lígure ou nas cidadezinhas do Piemonte...

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  4. Eduardo , os únicos meses que "fugio" da Itália são julho e agosto. Calor , , mar de turistas, preços altos=fuga. Se você gosta de multidão ,Veneza e Riviera. See gosta de vinho , Piemonte, Lago de Como ?
    Deixa pra depois....

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  5. Respostas
    1. Melhor que produtor brasileiro?

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