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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

MEUS PONTOS MINHA VIDA


 


Não consigo entender enófilos que, após anos e anos de experiência, centenas e centenas de garrafas degustadas, alguns, ou vários, porres tomados, ainda necessitem de meia dúzia de gurus pontuadores que os  norteiem em suas escolhas vinícolas.

Os “eno-vacas-de-presépio e buscadores dos pontos perdidos, são aqueles que fazem a alegria das grandes indústrias vinícolas que, de uma forma velada, ou não, compram classificações, pontos, “melhor vinho do ano” etc. para poder elevar vertiginosamente preços e lucros.

Conchavos, contratos de publicidades de milhões, propinas, mordomias, viagens, etc. etc. etc. fazem parte da grande farsa midiática que a cada ano se renova.

Há, pasmem, enófilo que não compra vinho antes de consultar a lista dos novos “melhores do ano”

Publicações, Wine Especulator em primeiríssimo lugar, são aguardadas ansiosamente e seguidas como bíblia pelos fieis eno-tontos de todos os cantos do planeta.

Não há discussão, não há perguntas, não há dúvidas: A Wine Speculator falou tá falado....

Será que os eno-trouxas, depois de anos e anos de enganação, ainda não perceberam que a Wine Speculator é uma revista que fatura uma grana preta explorando suas estultices?

Será que os eno-idiotas não se cansaram de encher os bolsos dos industriais do vinho pagando verdadeiras fábulas por garrafas pontuadas pelos “parkerzianos” da vida?

Falta de imaginação e de personalidade são as “minas de ouro” exploradas pelas revistas pontuadoras.

Querem saber como se faz a picaretagem mais simples?

 Eu, industrial do vinho, produzo uma Barbera cujo custo final, do líquido à etiqueta, é de 4 Euros (creiam, quatro Euros é quanto custa a melhor Barbera que se possa encontrar).

Nas primeiras safras vendo minha Barbera por 7 Euros e obtenho, assim, um belo lucro.

Resolvo “investir” em propaganda e com 50.000 Euros compro dois ou três críticos que classificam meu vinho como “Uma Estrondosa Barbera”.

Em um passe de mágica meu preço passa de 7 para 10 Euros.

É bom lembrar que minha produção é de 30.000 garrafas (há um mar de Barbera estocada no Piemonte) e com apenas 3 Euros de aumento já paguei as canetas de vida fácil e obtive um bom lucro.

No ano seguinte lanço no mercado minha “Barbera Riserva” e resolvo “inve$tir” numa grande revista, digamos, 100.000 Euros.

A revista, por esta grana, não titubeia em escrever algumas bobagens e classifica, assim, minha Barbera: Vermelho rubi impenetrável Amplo nariz com geleia de cereja, tabaco, cacau, frutos de bosque. Na boca é opulento, elegante, macio, com taninos redondos e domados. Final incrivelmente longo. O melhor Barbera que se possa produzir”.

Pronto, ganhei na loteria!

Minha Barbera, aquela que eu vendia por 10 Euros é automaticamente reajustada para 17/18 (pensem no meu lucro) e a” Riserva”, que é exatamente a mesma, apenas com mais madeira, ostenta estratosféricos 40/50 %  na minha tabela de preço

Mais uma coisa: Não há problema com a quantidade....

Se me faltar estoque ligo para a cooperativa de Vinchio e Vaglio Serra.

A cooperativa de Vinchio e Vaglio Serra produz um mar de ótima Barbera e abastece todos os grandes produtores da região.

O que é espantoso, insano e preocupante é que há um monte de trouxas, carregando revistas embaixo do braço, procurando, não o que é bom, mas o que é caro e pontuado.

Querem mais uma prova da picaretagem (já dei tantas…) praticada, por exemplo, pela Wine Speculator?

A revista americana comemora, em 2013, 25 anos de publicação de sua lista com os  "100 melhores vinhos do mundo".

Neste quarto de século a Wine Speculator premiou, em 2002, o Brunello di Montalcino da Casanova di Neri e o classificou como melhor vinho do ano.

 Permanecendo em Montalcino verifiquei que os vinhos da Banfi e da Frescobaldi apareceram na lista dos “Top 10” da Wine Speculator por 10 e 7 anos respectivamente.

É bom lembrar que a Casanova di Neri, Frescobaldi e Banfi falsificaram durantes anos e anos seus Brunello di Montalcino com uvas Merlot e Cabernet Sauvignon.

As vinícolas picaretas foram descobertas, processadas e condenadas pelo tribunal de Siena.

 Além da condenação tiveram que rebaixar seus Brunello e vende-los como “Rosso di Montalcino”.

Gostaria de conhecer os narizes e paladares dos críticos da Wine Speculator que não conseguiram detectar, anos após anos, que os Brunello  premiados “Top, Top, Top 10” eram diferentes (falsificados) daqueles verdadeiros produzidos apenas com Sangiovese.

Você ainda acredita em pontuações?

Sim?

Parabéns, você é um eno-asno!

Dionísio

4 comentários:

  1. Voces quando trabalhavam na expand adoravam vender vinhos tocando no assunto pontos. Seus contemporaneos remanescentes adoram os pontos.

    Agora voces mudaram de lado e falam outra coisa. Compreensivel. Acho otimo que muita gente saiba quanto trambique ha nessa conversa.

    Logo comprarao vinicola na serra gaucha e tambem mudarao de lado.

    Apos anos e anos trabalhando --tambem-- com vinho penso que atingimos um ponto onde as pessoas precisam que alguem lhes diga sobre os pontos e as vendas no mundo despencariam sem pontos. Como cinema, restaurantes, musica, passeios, aerolineas, museus... ha muita gente que quer que alguem lhes conte algo sobre alguma coisa. Nao querem decidir por eles, nao querem pagar para ver, mas pagam pela opiniao alheia.

    Sistema de pontos era como um deus falso (jesus, ala, inri cristo, boi tata, loira do banheiro) que estava pedindo para ser criado porque haveria demanda por ele.

    Lembro que poucos pagam as empresas para terem os pontos inflados. Muitos se beneficiam do sistema e fazem toda questao de jogar os RP94 na cara dos clientes e possiveis compradores. Restaurantes tambem pagam por premios, mas varios sao freeriders. O sistema eh otimo para todos.

    Qualquer importador no Brasil sonha em comprar o proximo vinho sem pontuacao que ira para o top das revistas APOS a compra.

    Mas as ultimas perguntas que tenho sao:

    Quanto tempo leva para uma pessoa que queira aprender deixar os pontos de lado nas compras? A cada 100 pessoas que "entram" nessa de vinho, quantas deixam de se levar por pontos?

    Minha experiencia me diz que as pessoas tem outras preocupacoes e ocupacoes tantas na vida. Demoram uns 10 anos em media para perceberem que estao sendo trouxas ao comprar rotulos. Somente apos esses 10 anos eh que vao aprender que vinho nao se compra em duty free, assim como perfumes, tablets e whiskies e que deveriam cancelar a assinatura do RP ou de sei la mais quem.

    Lembrar que o cliente muitas vezes QUER ser enganado. Eh como marido chifrudo, o cara tem prazer em ver a mulher dando para outro.

    Essa semana renovei minhas assinaturas da WE e da WS. Preciso vender meus vinhos com os pontos certos.

    Auguri per tutti, bastardi.

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  2. Tenho a impressão que vc andou bebendo vinho da Miolo em demasia e perdeu 92,7% de seus neurônios .
    Nunca trabalhamos em importadoras de vinhos e muito menos na falida Expand , aliás nunca trabalhamos no ramo.
    Quanto tempo as pessoas levam para aprender a beber sem pontos não sei , apenas sei que quem bebe ponto é um eno-asno.
    É o seu caso?

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